segunda-feira, 18 de maio de 2020

Conversar sobre sexualidade também é uma forma de proteção



Falar sobre sexualidade diz muito mais sobre falar sobre sexo. É sobre proteção e prevenção. Crianças muitas vezes são abusadas sexualmente e nem sabem, pois não têm noção que aquele agressor – muitas vezes uma pessoa próxima, do seu círculo de convivência familiar, que lhe passa confiança – está fazendo algo que lhe faz mal. Por isso é importante, desde a menor idade que a criança entenda, que se fale sobre sexualidade e pertencimento do seu corpo, para evitar que fatos assim aconteçam.
A proximidade do abusador é outro fator para que a grande maioria das vítimas sofra em silêncio por anos, pois têm sobre elas o fantasma criado pelo agressor de que, se contar sobre o abuso, alguma coisa grave poderá acontecer a ela ou a alguém que ela ama ou ainda que ninguém irá acreditar no que conta. Municiar a criança de informações sobre o seu corpo e quem pode tocar nele e estabelecer um laço de confiança são instrumentos para empoderarmos nossas crianças para evitar que o abuso e a exploração sexual atinjam nossos filhos e filhas.

Conversar, conversar, conversar e se aproximar do seu filho é a melhor maneira de cercar de cuidados para evitar que ele/ela seja vítima. Por aqui, sempre aproveito qualquer situação que dê brecha para retomar o assunto e reforçar alguns cuidados e alertas que devemos ter para não permitir que qualquer pessoa, conhecida ou não, se aproxime demais. E a gente pode fazer isso conversando com as crianças sobre suas partes íntimas do corpo, não dando apelidos a ela e chamando-as pelos nomes corretos, explicando que somente elas e nós, seus pais, quando damos banho podemos tocar, instruindo que não permita que ninguém possa tocá-la.

Sempre ressalto para elas casos que já tenha ouvido relatos de estratégias que normalmente abusadores usam, inclusive mostrando como agem. Não esqueço nunca um vídeo que passou no programa da Fátima Bernardes de um cara (ator) que ficou numa praça abordando crianças com a alegação de que iria mostrar uns filhotinhos de cachorro e TODAS as crianças o acompanharam, mesmo os pais já tendo alertado para não irem. Por isso nunca é demais reforçarmos essas recomendações e alertá-los.

O abuso sexual na infância deixa sequelas para toda vida. A criança e o adolescente vítimas desenvolvem problemas de comportamento e relacionamento, passando a ter atitudes que antes não demonstrava. Como muitas vezes guardam isso para si, sem revelar a um terceiro a violência sofrida, a família não consegue entender e nem sabe como lidar com a mudança repentina de comportamento.

Crie uma relação de confiança com seu filho para que ele se sinta seguro em lhe contar qualquer coisa que acontecer com ele e, assim, não caia em chantagem de um possível abusador. Faça com que essa relação de confiança não dê brecha a ele manter segredos com você e pense sempre em você, pai ou mãe, como a primeira pessoa a contar algo que tenha ocorrido ou qualquer tentativa que seja.

Monitore com quem ele esteja. Se precisar ficar com terceiros ou na casa de alguém com algum adulto ou adolescente, sempre busque saber tudo que tenha acontecido, veja se, no retorno, está com comportamento ou reações diferentes. Algumas alterações de comportamento podem indicar a ocorrência de abuso, como ansiedade, dores de cabeça, irritação alterações intestinais, raiva, depressão, fazer xixi na cama, pesadelos, dificuldades nos estudos. A ocorrência de alguns deles, sem nenhuma explicação, deve acender o alerta.

Buscar uma conversa para descobrir algo, sem fazer com que a criança se sinta culpada, é muito importante, para que se busque apoio para ela e as devidas medidas legais para o agressor. E lembre-se: se souber de alguma criança ou adolescente que esteja sendo vítima de abuso ou exploração sexual, denuncie através do Disque 100.

Beijos!

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