sábado, 13 de maio de 2017

Mães empreendedoras: a arte de conciliar carreira e família

Voltar ao trabalho depois da licença-maternidade é um dilema que praticamente toda mãe passa por ele. Ouso até dizer que essa preocupação começa a ocupar a cabeça de nós, mães, antes mesmo de o bebê nascer. Que rumo dar à vida profissional depois da maternidade? Como conciliar filhos e carreira? Vou conseguir dar conta de tudo? Continuarei sendo tão capaz quanto antes? Será que darei atenção suficiente a meu filho? Quem nunca fez esses questionamentos? Em meio a esses dilemas, muitas mulheres têm optado pelo trabalho em casa após a chegada dos filhos.

Maior flexibilidade de horários para dar atenção aos filhos e ter mais tempo para a família, mas sem abrir mão da carreira, é um dos principais motivos para essa decisão. Uma pesquisa realizada traçou o perfil da mulher empreendedora no país. O levantamento feito pela Rede Mulher Empreendedora apontou que a maioria das mulheres que empreende é casada, tem entre 30 a 39 anos e esse desejo de empreender vem não apenas pelo retorno financeiro, mas também pela vontade de mudar o mundo.

Após ouvir cerca de 1.400 participantes, a pesquisa detectou que 75% das entrevistadas começaram a empreender após a maternidade. “Esse é um resultado bastante expressivo. Na classe C essa porcentagem aumenta para 83%. Dentre os principais motivos estão a flexibilidade de horário, trabalhar com o que gostam e realizar sonho”, revelou Cláudia Soledade, embaixadora da Rede Mulher Empreendedora em Sergipe.
Letícia e sua família: sonho de empreender hoje é realidade
Antes de ser mãe, a hoje artesã Letícia Félix Tavares até pensava em ter seu próprio negócio, mas era apenas um sonho. Nada a ver com a profissão de professora de inglês que exercia. Foi depois da maternidade que esse desejo começou a tomar corpo. “A ideia de ter meu próprio negócio surgiu com a minha vontade de ser mãe em tempo integral. Depois da chegada da minha filha do meio, eu percebi que não havia ninguém melhor para ficar, cuidar, educar os meus filhos do que eu mesma. Então decidi sair do meu emprego e me dedicar totalmente a eles”, contou. Mas no meio desse caminho ela se descobriu grávida do terceiro filho, que não estava nos seus planos. “Sem a minha renda e mais um bebê chegando as finanças começaram a apertar. Vi que havia nas redes sociais mulheres que vendiam seus artesanatos. Foi aí que resolvi fazer o mesmo, então comecei a divulgar meu trabalho”, disse.

O incentivo do marido e de algumas pessoas da família foi impulsionando, ela foi ganhando seguidores, que se transformaram em mais e mais encomendas de suas peças artesanais e de costura. “Peguei o gosto pela coisa. Ficava tão feliz quando recebia encomenda de gente desconhecida que tinha visto meu trabalho numa rede social ou numa feira”, relatou. Letícia gostou tanto do resultado que começou a profissionalizar o negício, criando um nome comercial. E assim surgiu a Costuradamente, ou Costura da Mente. “Mãe de 3 filhos com diferença de idade muito próximas você pode imaginar o porquê do nome, né?!”, disse a mãe de Theo, Nalu e Otto.
Viviane depois da maternidade realizou o desejo de empreender
Por muitos anos, Viviane Lima Ribeiro também trabalhou fora de casa. Hoje, suas atividades profissionais são feitas todas em casa. O desejo de empreender e trabalhar para ela mesmo, que surgiu assim que ela engravidou, pode ser concretizado quando a filha Vivian, hoje com 7 anos, estava com 5. “Sempre senti necessidade de trabalhar em casa. Quando engravidei, procurei aprender algo que eu pudesse fazer em casa. Comecei a arte em biscuit. Agora estou trabalhando com modelagem em chocolates e design de bolos. Meu sonho sempre foi trabalhar em casa para tomar conta da minha filha”, disse.

Como conciliar
Mas quem pensa que trabalhar em casa é moleza, fazer as coisas quando quer e quando der, engana-se! É preciso muita disciplina para que esse homeoffice dê certo. Viviane conta que trabalhar em casa exige muito, pois é preciso muita organização do tempo, para saber administrar o tempo para dedicar à atividade profissional, aos cuidados da casa e cuidado com filhos. “Tento trabalhar em horário comercial. É difícil, pois às vezes varo a noite, mas consigo. É difícil conciliar os serviços de casa com o trabalho, mas a melhor coisa é fazer meu tempo, trabalhar no meu horário, cuidar da filha sem pressão e os compromissos que o trabalho fora de casa traz”, avaliou, lembrando que por trabalhar em casa pode ter tranquilidade de, por exemplo, ir levar a filha ao médico quando precisa.

Com três filhos e sem uma pessoa para ajudar a cuidar da casa, Letícia Félix também tenta administrar da melhor forma. “Além de cuidar da molecada, tenho que fazer todo o serviço que uma casa e uma família exige. Por isso me dedico ao trabalho apenas à noite. Amo me dedicar aos meus filhos, meu lar e meu marido durante o dia e poder ‘relaxar’ trabalhando a noite! Sim, eu relaxo trabalhando”, disse.

Dificuldades
Além do aporte financeiro, conciliar família e trabalho, principalmente aquelas que não têm com quem deixar os filhos, são as principais dificuldades encontradas pelas mulheres que decidem empreender. A embaixadora da Rede Mulher Empreendedoras cita alguns cuidados que a mulher deve observar para não misturar as atribuições profissionais e maternas. “É necessário que saibamos administrar bem o nosso tempo, determinando os horários para cada papel, conciliando as atividades e buscando ajuda. Ter foco no negócio requer disciplina e claro importante buscarmos o equilíbrio em tudo que fizermos”, orienta.

Para que esse empreendimento seja bem-sucedido, Cláudia Soledade dá algumas orientações às mães que querem empreender. Uma delas é buscar atividades que já tenha talento para elas e que já saiba como fazer. “É possível transformar nosso talento e termos retorno financeiro”, disse. Ao decidir empreender, é preciso buscar redes de apoio, como o Serviço de Apoio à Micro Empresa (Sebrae), para orientação dos caminhos a percorrer. Cursos específicos na área e de gestão de um negócio, que também é possível encontrar em outras instituições como Senai e Senac, e rede de relacionamentos para que a mulher possa apresentar seu negócio e fazer networking, a exemplo da Rede Mulher Empreendedora, que oferece apoio mútuo e suporte para empreender, também são muito importantes. O contato com a Rede pode ser feito através do site www.rme.net.br ou pelo Facebook Rede Mulher Empreendedora.

Beijos

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