segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Memórias da 5ª série



Enquanto passava ferro no uniforme dela da escola, ontem à noite, um filme passava na minha cabeça. Eu também tinha 10 anos. Tudo era novidade para mim. Naquela época, ainda era a 5ª série. Escola nova, primeira vez em colégio público, primeira vez que ia usar calça jeans. Caderno de matérias, usar caneta, ter professores diferentes para cada disciplina, quatro intervalos e vários desconhecidos para dividi-los comigo. Seria a primeira vez que iria estudar uma língua estrangeira. Francês! "Comment vous appelez-vous? Je m'apelle Edjane". Nunca esqueci a expressão do professor (que não me recordo o nome) ao pronunciar essa frase, que ficou tão gravada em minha mente quanto a imagem engraçada do seu cílio avantajado.


Não esqueço também do cheiro tão gostoso da pipoca que era feita na cantina particular por volta do segundo intervalo, que fazia com que os alunos perdessem um pouco a concentração, ou mesmo o cheiro do cuscuz com sardinha que vinha da cozinha onde era preparada a merenda escolar para quem se arriscava (ou precisava) encarar a fila quilométrica.

Outros cheiros não tão agradáveis também não me saem da memória, como o da creolina usado pela servente na limpeza doa banheiros que, por azar, ficavam próximos à minha sala. Até hoje basta sentir de longe o odor da creolina que aquela salinha recuada, com parede de combrogó me vem à mente. Talvez tenha sido na 5ª série que a situação que mais se aproxima do que hoje chamamos bullying tenha acontecido comigo. Não sei se logo no primeiro, mas bem nos primeiros dias já nos foi informado: "A 5ª série fica no bloco do 'inferninho' (área do colégio onde ficavam as séries iniciais do então ginasial). Passar para o outro lado não era permitido. Apenas excepcionalmente.

Foi apenas um ano que ali estudei. Mas justamente por ter sido um ano que marcou tantas mudanças na minha vida estudantil aquele ano nunca saiu da minha mente. Todas aquelas lembranças da 5ª série estão guardadas aqui e tenho muito carinho pelo Colégio Presidente Vargas, onde, já como cidadã passei a ter lá minha seção eleitoral.

Não sei se daqui a 30 anos Bia vai guardar tantas e boas lembranças desse novo ano, dessa nova fase que ela hoje inicia. Só peco que Deus a guarde e oriente, da mesma forma como sei que minha mãe fez enquanto preparava o meu uniforme, mesmo sem ela ter as lembranças de como foi com ela, pois não teve a mesma oportunidade que nós de estudar. E, então, que seguindo o curso da vida, Bia possa ter mais e diferentes oportunidades que eu tive.

Beijos

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