segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Insegurança: como ajudar as crianças nessa situação

O crescimento da violência tem feito com que as pessoas se sintam cada vez menos seguras. Lamentavelmente, todos os dias temos vivido ou tomado conhecimento de situações de violência, seja contra nós mesmos, pessoas próximas, conhecidos ou através dos telejornais. A sensação de insegurança é grande! E isso tem forçado as famílias a mudarem um pouco sua rotina. Mas, e as crianças, como ficam em meio a isso tudo?

Às vezes me pego lembrando que com uns 8 anos eu já andava de ônibus sozinha com minha irmã, para irmos do Siqueira Campos ao Conservatório de Música, no Centro; também íamos e voltávamos andando de casa para a escola. Hoje, confesso, não vejo minha filha de 10 anos fazendo isso. Os tempos realmente são outros! A psicóloga e neuropsicóloga Fernanda Dória observa que a insegurança é um estado de medo ou temor diante de qualquer fato real ou imaginário e pode afetar crianças desde muito cedo. E isso pode acontecer nas mais variadas situações, como desde um primeiro dia de aula, uma ida ao dentista ou dormir sozinho num quarto escuro.

“Atualmente, com o acesso a tanta informação, as crianças passam a compartilhar com os pais imagens com cenas violentas e informações de terror ao redor do mundo. Por isso o temor de ser assaltado, sequestrado ou agredido se tornou comum, pois, em nosso dia a dia, é possível ouvir relatos de algum tipo de violência, nos levando a adotar novos hábitos, que, consequentemente, mudam a nossa forma de viver”, disse Fernanda.

Segundo ela, a criança pode não perceber como seus pais ou responsáveis se preocupam com a segurança, mas isto afeta diretamente a rotina da família e frequentemente a criança recebe orientações sobre cuidados, como não falar com estranhos e não se afastar dos pais. Muitas vezes, os pais geram um tipo de ansiedade nas crianças em falar que algo muito ruim pode acontecer caso elas desobedeçam. “As crianças atualmente estão crescendo sob essa realidade da violência pública. Ainda que nunca tenham sido vítimas de um ataque, acabam tendo que se adaptar a uma vida de estar sempre em vigilância, na tentativa de fugir da insegurança”, destacou a psicóloga.

Fernanda Dória: apoio dos pais é essencial
Alerta
Fernanda Dória, da Clínica Dialog, ressalta que é importante observar se a criança demonstra alívio ou tensão quando o assunto é abordado e, através desta observação, auxiliá-la a aliviar a tensão. Se a criança ficar agitada, correndo de um lado para o outro, chorando e gritando, por exemplo, o ideal é deixá-la livre para que possa liberar as tensões. “Cabe aos pais ajudá-la a transformar o que houve de forma lúdica, sem nenhuma repreensão do que ela falar ou se expressar. É recomendável pedir para ela desenhar livremente o que quiser, sempre brincando e transmitindo para ela que já está segura”, orientou.

Para ela, o apoio dos pais ou responsáveis é essencial para a criança conseguir elaborar o fato com mais facilidade. É importante acompanhar as reações da criança também no dia seguinte e, se necessário, buscar ajuda especializada o quanto antes. Os pais e outros responsáveis devem atentar para o acesso das crianças aos computadores e à televisão porque, a depender do conteúdo, as crianças passam a vivenciar informações sobre violência, crimes, abusos e outros temas que não são indicados para a faixa de idade delas.

“Na internet, por exemplo, deve haver uma vigilância em relação ao tipo de informação compartilhada. É necessário conversar com os filhos sobre os riscos nas ruas e também no mundo virtual, mas sempre com o cuidado de não se criar um ambiente como se pudéssemos viver numa bolha de proteção. A educação é importante para que as crianças saibam como lidar com os riscos e principalmente ter liberdade para conversar com os adultos numa situação suspeita”, ressaltou Fernanda.


Na avaliação da psicóloga, a escola pode ser uma grande parceira nesse relacionamento, auxiliando com conversas e orientações para que a criança se sinta segura. Se a família perceber algo diferente da rotina, deve buscar uma ajuda psicológica para entender algum processo pelo qual esteja passando essa criança. “No mais é garantir diálogo, informações corretas e respeitar a idade de cada um na hora de falar sobre determinados assuntos. Crianças pequenas, maiores e adolescentes devem ser tratados de forma diferente também no momento das orientações sobre segurança e o risco de um assalto ou sequestro por exemplo”, ressaltou Fernanda Dória.

Beijos

Siga-nos nas redes sociais:
@conversinhademae (no Instagram)
@conversinhadmae (no Twitter)

Curta nossa página no Facebook: https://www.facebook.com/conversinhademae

Nenhum comentário:

Postar um comentário