terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Estrabismo: especialista esclarece dúvidas

Nem sempre é tão simples (e rápido) descobrir problemas na visão de crianças. No caso do estrabismo, a situação é um pouco diferente, por ser mais aparente. Mas justamente isso faz com que o paciente, além dos prejuízos causados pela doença à sua visão, tenha afetada também a sua autoestima. Brincadeiras de mau gosto, apelidos e preconceitos causam sofrimento, especialmente quando se fala em criança.

Mas, segundo a oftalmogista Lusa Reis, o que muitos não sabem é que o estrabismo é algo que pode ser curado, com óculos e medicamentos especiais ou mesmo com cirurgia, a depender do caso. “De acordo com o tipo e o tamanho do desvio decidimos qual será o melhor. Muitas vezes, no entanto, a criança pode precisar dos dois tratamentos. Há também a fisioterapia ocular que chamamos de exercícios ortópticos; eles podem ser indicados em alguns casos como tratamento adjuvante, mas não como solução para o estrabismo”, explica a médica, que é especialista em estrabismo e oftalmologia pediátrica.

Lusa revela que existem três formas de a doença se manifestar: “Quando o olho desviado está em direção ao nariz (estrabismo convergente ou esotropia); desvio para o lado de fora (estrabismo divergente ou exotropia) ou quando o olho desviado esta para cima ou para baixo (estrabismo vertical)”, salienta.

Ela disse ainda que as causas dos desvios oculares podem variar de acordo com a idade em que aparecem. “Em crianças pequenas elas muitas vezes não são bem definidas, mas sabe-se que a história familiar, graus moderados a altos de hipermetropia, astigmatismo e as diferenças altas de grau entre um olho e outro (anisometropias) são fatores de risco para o surgimento do estrabismo. Nessa fase também os desvios oculares podem estar associados a síndromes genéticas. Em crianças mais velhas e adultos as principais causas estão relacionadas a doenças sistêmicas como hipertensão, diabetes, tumores cerebrais e traumatismos cranianos”, revela. 
A especialista Lusa Reis esclarece
que estrabismo pode ser curado
A médica ressalta que o desalinhamento ocular pode ser percebido visualmente pelos pais e um especialista deve ser consultado o quanto antes. “É importante lembrar que antes dos quatro meses de idade podem surgir desvios oculares esporádicos que são normais nessa fase do desenvolvimento visual. Após essa idade qualquer desvio ocular não é normal e a criança deve ser avaliada por um oftalmologista especialista em estrabismo”, alerta.

Bullying
“Vesgo”, “zarolho” e uma infinidade de apelidos que machucam, aumentam a timidez e limitam o paciente em seu desenvolvimento social. “E essa percepção aumenta à medida que a criança fica mais velha, em geral a partir dos sete anos, quando ela já sofre muito com bullying dos colegas. Antes disso talvez o paciente não tenha muita consciência da situação”, explica Lusa Reis.

Ela lembra que em 2013 foi publicado um estudo feito no Hospital São Geraldo, em Belo Horizonte (MG), onde se avaliou a qualidade de vida de pacientes com estrabismo entre sete e 67 anos de idade. Neste trabalho foi visto que 58,4% dos entrevistados se sentem inferiorizados por possuírem estrabismo e 74,2% se sentem incomodados. “Sendo assim, a doença pode representar um estigma ao portador e principalmente um incômodo, levando a algumas limitações”, diz a especialista.

Lusa Reis acrescenta que o estrabismo pode trazer outros problemas oculares como a ambliopia (olho preguiçoso). “Com o tempo, o desvio ocular pode se manter estável ou pode se agravar com o crescimento da criança. Isso vai depender do tipo do estrabismo, do grau (erro refrativo) do paciente e também do desenvolvimento ou não da ambliopia, sendo o mais importante à prevenção desse problema”, afirmou.

Por isso é muito importante esse olhar atento dos pais e, percebendo alguma alteração, procurar o quanto antes um oftalmopediatra para cuidar do caso. E mesmo que não perceba nenhum problema aparente, as crianças devem ser levadas para uma consulta de rotina com um especialista regularmente. Acompanhe o trabalho da dra. Lusa Reis e dicas para o olhar de nossas crianças no perfil @primeiroolharaju no Instagram.

Beijos

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