terça-feira, 14 de outubro de 2014

Adolescência: como ajudar na chegada dessa nova fase

De repente, como se fosse do dia para a noite, você percebe que aquele bebezinho que dia desses você carregava no colo com tanto cuidado, como se fosse desmontar as pecinhas, cresceu. Cresceu tanto que você custa a acreditar que ele (já!) está entrando na adolescência. Minha pequena acabou de fazer 8 anos, mas sinto que esse momento vem se aproximando, e numa velocidade que, confesso, mais rápida do que eu esperava.

É cada vez mais comum vermos meninos e meninas passando por modificações físicas e emocionais que indicam que estão entrando na puberdade. Para muitos pais (principalmente), isso é um choque. Um misto de espanto e até certo desespero. No entanto, não há motivo para pânico. Pelo menos é o que orienta a pediatra, herbiatra e psiquiatra da infância e adolescência, Marília de Freitas Maakaroun.

Ela foi uma das palestrantes do 13º Congresso Brasileiro de Adolescência, realizado semana passada aqui em Aracaju. O Conversinha de Mãe bateu um papo com ela para tentar esclarecer algumas dúvidas e trazer algumas orientações aos pais sobre como agir nessa fase tão importante da vida quando nossas crianças estão entrando na adolescência, um período tão lindo a vida.

Segundo a médica, hoje temos crianças entrando na puberdade aos 8 anos e isso é absolutamente normal. No entanto, ela reconhece que para muitas mães isso ainda é um susto, embora seja um pouco mais natural que antigamente. “Mas para a criança em si entrar na puberdade aos 8 anos, quando na sala de aula no conjunto dos outros com que ele convive, a média da menarca, para as meninas, é 12 anos, isso é um choque, porque ele está vivendo um amadurecimento maior, vivendo uma perda de ritmo em relação aos seus colegas e o pensamento, a qualidade do pensamento muda”, disse.

Como o pensamento hipotético do adulto vai emergir mais cedo, o amadurecimento biológico também acontece mais cedo, essa criança, um novo adolescente, vai ter que procurar amigos em turmas mais avançadas. Fase que ocorre normalmente entre o 4º, 5º ano. Por isso, disse Marília Maakaroun, não se pode mais nem falar em adolescência cronologicamente, mas sim do estágio maturacional. “Essa análise maturacional pode nos levar a concluir que o adolescente entra na puberdade de 8 a 13 anos”, observou.
Marília Maakaroun: diálogo entre pais e filhos
é fundamental na chegada da adolescência
Como ajudar nessa fase
De acordo com a especialista, os pais têm um papel fundamental nessa fase. A ajuda deles é fundamental. A primeira atitude, com a chegada dessa fase, é não levar um susto. “Não é transformar um fenômeno natural em uma anomalia. Tem que ver que aquela criança está se modificando, está com necessidades diferentes, está desejando o que ela não desejava como criança e por outro lado está vivendo uma ambivalência muito grande entre crescer e não crescer, entre continuar criança ou se tornar adolescente”, disse.

Essa ambivalência, acrescentou Marília Maakaroun, acontece inclusive entre os desejos. Num momento esse novo adolescente quer ser dependente dos pais, mas tambémquer liberdade, autonomia. “Quer namorar, ter outras oportunidades, mas, de repente, também está brincando como uma criança”, contou a médica. Para ela, ao invés de reprimir e se assustar os pais precisam estar preparados para esse momento. “Nós temos que nos preparar para proteger de uma maneira muito especial, assim como a gente protege a infância, a adolescência”, orientou.

Outra coisa muito importante apontada pela médica é a necessidade da conversa, do diálogo entre pais e filhos. Marília lembrou que os tempos modernos têm feito com que cada vez mais a realidade de nossas casas seja filho para um lado, pai para outro, mãe para outro. “Não tem conversa. Tem um transtorno desafiador/opositor que faz com que os pais sempre estejam proibindo e os adolescentes sempre querendo concessão. E aí fica esse dilema: ‘quando eu quero você não me dá; quando você quer me obriga a fazer algo; quando eu quero você acha que eu sou criança; quando você quer diz que eu já sou grande”, disse.

A perplexidade dessa fase fica mesmo com o próprio adolescente. “Porque ele olha no espelho e não se reconhece. Ele se busca e não se vê. Na cabeça dele a imagem corporal que tem é de uma criança e aí se assusta quando percebe seu corpo modificado. E como a adolescência acontece sem o consentimento dele, como um evento biológico natural da vida, o adolescente ele não aceita as transformações, não aceita muitas vezes que tudo aquilo está acontecendo com ele e pensa que ele era muito feliz criança”, explicou Marília.

Daí a importância de os pais se aproximarem dele, mostrando como ele está crescendo, como está se desenvolvendo. “Dizer: ‘como você está bem, cada vez maior, como está bonito crescendo’, porque eles se veem mal, justamente na época mais linda”, declarou a pediatra.

Nessa fase, o adolescente pode reeditar algumas fases. Isso também é normal. Como não querer tomar banho, querer comer muito, de alguma forma chamar a atenção dos pais, mostrando que necessita de cuidados, mas cuidados diferentes do que recebeu deles quando era bebê. “Nesse momento que ele quer ser independente, quer autonomia, liberdade ele está mostrando que está necessitando também de cuidados. São cuidados que os pais têm que dar para o adulto que está nascendo. Por isso é preciso um diálogo permanente, porque o adolescente entende tudo, muito embora ele faça (e a gente pense) que não o que falamos entra por um ouvido e sai por outro. Ele pode até não responder, mas eles ouvem e entendem tudo”, afirmou Marília Maakaroun.

Beijos

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