terça-feira, 12 de agosto de 2014

Piolho: mitos, verdades e cuidados com esse inseto

Uma coçadinha aqui, outra coçadinha ali...Não é legal falar (começa até a dar um comichão na cabeça – será que só acontece comigo?????), mas piolhos é um tema (praticamente) comum a todas as crianças. É difícil passar pela infância sem ser atingido por esses “bichinhos” tão incômodos. Verdade ou não??? A convivência mais próxima com outras crianças – e isso é potencializado com o ingresso na escola ou no berçário – acaba potencializando isso.

Só de pensar nisso a gente fica de cabelo em pé, não? Eu então que tenho duas meninas com uma cabeleira vasta, nem se fala! Embora a infestação por piolhos seja uma coisa que existe desde os primórdios, ainda é vista com muito preconceito. Muitas pessoas têm medo de falar caso o filho ou filha esteja com isso e aí muitas vezes não colabora para que a “praguinha” seja eliminada e, como consequência, vai afetando outras e outras crianças.

Para tirar algumas dúvidas e desvendar alguns mitos, vamos bater um “papo-cabeça” aqui hoje no Conversinha de Mãe sobre piolhos. O pesquisador do Laboratório de Educação em Ambiente e Saúde do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), biólogo Júlio Vianna Barbosa, desenvolve atividades educativas sobre o problema. Em entrevista que ainda é alvo de preconceito. Em entrevista, ao site do IOC, Júlio esclareceu que o piolho é um inseto que provoca uma doença (a pediculose, causada a partir da infestação pelo inseto Pediculus humanus humanus), abordou mitos e verdades sobre o assunto e defendeu ações educativas como a mais importante estratégia para um tratamento eficaz. Aqui trazemos alguns pontos mais importantes sobre isso.

O que são os piolhos?
Os piolhos são pequenos insetos que parasitam o homem e provocam uma doença chamada pediculose. Eles se alimentam exclusivamente de sangue, preferem ambientes quentes, escuros e úmidos e depositam seus ovos nos fios de cabelo.

Como é seu ciclo de vida?
Os piolhos passam por três estágios de desenvolvimento. A fêmea do piolho coloca seus ovos, conhecidos como lêndeas, envoltos numa espécie de cola que os adere aos fios de cabelo. De sete a dez dias depois, estes ovos liberam as ninfas – nome do estágio do piolho logo que sai do ovo. De nove a 12 dias depois, as ninfas chegam à fase adulta. Nesse estágio, os piolhos vivem cerca de 30 dias e vão se alimentar com sangue e acasalar, reiniciando o ciclo. A fêmea produz, em média, de 150 a 300 ovos ao longo da vida. A temperatura elevada é um fator importante para a proliferação dos piolhos. Quanto maior a temperatura, mais acelerado é o desenvolvimento do piolho dentro do ovo. Por isso, há maior incidência do inseto no verão.

Como acontece a transmissão?
Apesar de ser um inseto, o piolho não tem a capacidade de voar, uma vez que não possui asas, e nem de pular, pois não possui pernas adaptadas para o salto, como é o caso da pulga. A transmissão pode ocorrer de duas maneiras: por meio do contato direto, encostando cabeças para tirar uma fotografia, por exemplo, ou pelo compartilhamento de objetos de uso pessoal, como pentes e escovas, prendedores e lenços de cabelo, bonés, capacetes, travesseiros, entre outros.

É verdade que a transmissão pode estar relacionada à falta de higiene?
Não. Isso foi um conceito muito tempo atrás. Independentemente de renda, sexo ou idade, qualquer pessoa pode ter piolho, desde que não esteja atenta ao compartilhamento de objetos de uso pessoal.

Como prevenir?
Por meio de uma medida simples é possível impedir a proliferação da pediculose. Evite compartilhar objetos de uso pessoal, como bonés, pentes e escovas, prendedores de cabelo, lenços, bandanas ou capacetes.

O que causa a coceira?
A coceira é o primeiro sintoma da manifestação da pediculose e acontece devido à reação do corpo à alimentação do piolho. Para conseguir se alimentar do nosso sangue, o piolho utiliza duas substâncias presentes em sua saliva. Ao encontrar um vaso sanguíneo, o inseto injeta saliva naquele local. Uma enzima anestésica impede que o homem sinta dor no momento em que o aparelho bucal do inseto penetra no couro cabeludo. Durante a alimentação, outra enzima entra em ação: com função anticoagulante, ela evita que o sangue coagule no intestino do piolho. A combinação destas substâncias promove uma reação do corpo humano, manifestando-se na forma de coceira intensa, um incômodo que geralmente começa atrás da orelha ou na região da nuca. Outro sintoma que pode se manifestar especialmente em crianças, dependendo da quantidade de piolhos, é o desenvolvimento de anemia.
Pente fino: forma mais eficaz de eliminar os piolhos
Qual a forma mais eficaz de se eliminar os piolhos?
A melhor forma de se eliminar os piolhos é por meio do uso diário de pente fino. Para isso, a criança deve ser posicionada de costas, sentada, com um pano branco nos ombros para facilitar a visualização dos piolhos retirados. Com o cabelo dividido em partes, o pente fino deve ser usado da base até o final dos fios. Para facilitar, pode ser utilizado um creme de pentear. Essa recomendação é fundamental, porque os produtos disponíveis atualmente não têm efeito sobre a lêndea, que é o ovo do piolho.  Para retirar a lêndea, é recomendável que se utilize uma mistura de água e vinagre, na mesma proporção. Passe um pedaço de algodão molhado com a solução em três ou quatro fios de cabelo, da raiz até as pontas. Essa é uma receita caseira segura, que não traz riscos à saúde humana.

Qual é o risco de se utilizar métodos alternativos de combate à doença como inseticidas ou tinturas de cabelo?
Nenhum tipo de produto deve ser utilizado sem recomendação médica. O couro cabeludo funciona como uma espécie de esponja que absorve o que é aplicado na cabeça. Portanto, é preciso ter cautela. As tinturas de cabelo e os inseticidas podem até matar os piolhos, mas não eliminam as lêndeas. Além disso, esse tipo de material contém substâncias tóxicas que podem provocar lesões e infecções na criança. Outro mito comum consiste no uso de plantas, comumente associado a tratamentos naturais. Contudo, seu uso indevido pode gerar alergias e também deve ser evitado.

Existe um mito sobre a presença de lêndea morta no couro cabeludo. Você pode explicar?
Quando o piolho sai da lêndea, o ovo onde se desenvolveu, deixa para trás uma casca vazia. Devido à cola que adere as lêndeas no fio de cabelo, elas permanecem lá por muito tempo, surgindo, assim, a ideia de que poderia ser lêndea morto.
São alguns esclarecimentos bem úteis que achei legal compartilhar com vocês. Agora vamos ficar de olho na cabeleira de nossos pequenos.

Beijos

@conversinhademae (no IG)
@conversinhadmae (no Twitter)

Fonte: Instituto Oswaldo Cruz

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