quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Amamentação prolongada: saúde e afeto estendidos



Os benefícios do aleitamento materno não se pode negar. Conseguir amamentar o bebê exclusivamente no peito é uma tarefa – como a gente viu aqui nessa série de matérias e se depara diariamente na nossa vida e na de outras mães – que requer muita dedicação. Mas, difícil também é conseguir levar esse período de aleitamento a um tempo ainda maior.

Eu mesma, por exemplo, só tive esse privilégio até os 10 meses, no caso de minha filha mais velha, e os 8, agora com a mais nova, por motivos de saúde meu. Mas, se pudesse, acho que tinha estendido beeeem mais esse prazer de estar com minhas filhas ao seio, dando mais que alimento físico. As vantagens da amamentação prolongada hoje já são reconhecidas (embora ainda tenha quem, inclusive profissionais de saúde, ache que é um leite sem nutrientes :o ), no entanto, por incrível que pareça, infelizmente, há quem olhe torto para as mães que amamentam os filhos por um período maior.

Os três filhos – Andréc com 6, Anne com quase 5 e Samuel de 2 anos e 9 meses – da enfermeira e doula Priscila Costa sempre mamaram além dos 6 meses. O mais velho mamou até os 11 meses e desmamou sozinho, pois, por inexperiência, ela ofereceu mamadeira aos 9 meses, quando engravidou da segunda filha. “Com a diminuição das mamadas, diminuiu a produção do leite e ele perdeu o interesse”, contou. Já a segunda mamou até 1 ano e 6 meses. Nesse tempo, a pequena já tomava leitinho no copo e Priscila estava no terceiro mês de gestação do terceiro filho. E esse é o que mais mamou. Ops, melhor, o que mais está mamando. Prestes a completar 3 anos em outubro, Samuel sempre que deseja ainda complementa a sua alimentação no peito da mamãe.
Priscila e seus 3 bebês: muito amor vindo do peito
“Sempre quis amamentar, minha mãe nos amamentou até 2 anos e 3 meses, e desde cedo sempre ouvi dos benefícios. Na faculdade tive contato com aleitamento e bancos de leite, e quando me veio a maternidade não tive dúvidas: eu queria amamentar. Nunca pensei em não amamentar após os 6 meses, sempre quis continuar. Eu tenho apego pelo natural, e creio que Deus deu o melhor leite para nossos bebês: o nosso!”, disse Priscila.

Com a maternidade, ela se interessou muito por esse assunto e começou a ajudar as amigas nesse enfrentamento. “Depois que tive o terceiro, comecei a trabalhar com suporte a mães que enfrentavam dificuldades, porque, por experiência, via que a maioria das mães que não amamentavam não tinha sucesso por falta de ajuda e informação”, observou.

Benefícios
Para Priscila, os benefícios da amamentação prolongada são inúmeros. O principal, disse ela, é o vínculo que se forma entre mãe e filho. “Muitos diriam que o bebê fica manhoso, mas eu acho muito importante a ligação que eles têm comigo”, destacou. No quesito saúde, Priscila ressaltou que os estudos já mostram que o leite materno continua sendo uma fonte importante de proteína, gordura, cálcio e vitaminas, mesmo após os dois anos de vida. A criança já se alimenta normalmente, sendo que alimentos e leite materno se complementam na nutrição da criança.

Como mãe e estudiosa Priscila revelou que pesquisas mostram que o leite materno durante o segundo ano de vida da criança é muito parecido com o leite no primeiro ano. Outro fator, segundo ela, seria o menor índice de alergias. “Eu tenho filhos alérgicos e sofri com o desmame precoce – pra mim foi! – (risos) do primeiro filho. Optei por amamentar em livre demanda e sem limite de idade justamente para evitar o contato deles com alimentos alergênicos. Sendo o principal deles o leite de vaca”, disse.
Naiane e Yossef Noah
A assistente financeira Naiane Santana Oliveira, mãe de Yossef Noah, sabe bem os benefícios da amamentação prolongada para a saúde de seu filho. Ele foi amamentado exclusivamente no peito até os 6 meses, mas o aleitamento se prolongou até os dois anos, junto com a alimentação convencional. “Mesmo comendo tudo, Yossef sempre pedia o ‘petinho”. Segundo a pediatra, o fato de minha insistência em amamentá-lo até os dois anos auxiliou bastante à saúde dele, pois o mesmo tem muita alergia e amamentá-lo contribuiu para aumento da imunidade”, disse Naiane.

Quando Noah completou 2 anos, ela voltou a trabalhar e as mamadas foram diminuindo. Nesse período ela engravidou novamente e aí conversou com ele sobre deixar o peitinho agora para o irmão. “Tanto no amamentar quando no desmame sofri um pouco. Porém, com determinação, foco e visualizando sempre o melhor do meu filho, graças a Deus, consegui. Vale a pena tentar”, frisou Naiane.

A amamentação prolongada tem ainda os benefícios para a mãe, que, segundo estudos, são vários também, como a redução do risco de alguns tipos de câncer ligados diretamente a mulher. “Minha postura com a maternidade sempre foi correr atrás de informação. Eu sofri com a inexperiência com meu primeiro filho e a partir dai passei a ler muito sobre tudo que envolvia esse universo. Quando um profissional me dava um conselho que não seguia a ordem natural de alimentação e aleitamento, eu corria atrás de leituras e se necessário, corria do profissional também. Conhecer novas opiniões pode ajudar.

Críticas
Engana-se quem pensa que essas mães que levam a amamentação prolongada vivem e elogios e reconhecimento. Olhares tortos e críticas são comuns, muito comuns, dizem elas. “Se eu ouço críticas? Muitas! E como! Ouvi que ia ficar mimado, que não ia comer, que ia ficar desnutrido etc... Ouvi que minha segunda filha era gordinha porque eu amamentava demais, e que meu caçula era magrinho porque mamava demais (oi?)”, contou Priscila, acrescentando que seus filhos se alimentam bem e o que mais mamou é o que mais come. “Nunca vi um apetite daquele”.

Ela também por duas vezes, recebeu indicação de tratamentos que não eram permitidos em aleitamento. “Ouvi de médicos que minha saúde era mais importante e que meu leite era ‘água’ pra ele... Fui procurar novas opiniões e tudo se resolveu sem que eu precisasse desmamar”.

Para quem está passando por essa situação de só ouvir crítica porque optou pela amamentação prolongada, o conselho de Priscila é que não desanimem. “Procurem informação e continuem amamentando, se esse é o desejo de vocês. Vale a pena, em todos os sentidos. Fórmula nunca será tão saudável quanto’. Procurem um profissional atualizado e que seja realmente a favor do aleitamento. Procurem ajuda quando enfrentarem dificuldades, mas não desistam”, aconselha Priscila.

Ela observa que cada uma sabe de seus limites e a amamentação prolongada deve ser uma escolha consciente da mulher. “Se esse é seu desejo, leia desde o início sobre e converse com a família sobre sua decisão. Isso ajuda no enfrentamento e aceitação de todos”, acrescentou.

Conversas com outras mães para troca de experiências, grupos em redes sociais de apoio a amamentação também ajudam no apoio às mães que estão vivendo essas críticas. No Facebook existem alguns bem interessantes como o “Aleitamento Materno Solidário” e “Grupo Virtual de Amamentação”, que também dispõem de arquivos valiosos para leitura, inclusive sobre amamentação prolongada. Há também o Blog Comunidade Aleitamento Materno Solidário também conta com muitos textos e estudos.

VEJA ISSO:

No segundo ano de vida, 500ml de leite materno proporciona à criança:
95% do total de vitamina C necessário
45% do total de vitamina A necessária
38% do total de proteína necessária
31% de caloria do total necessária

Fonte: (UNICEF/Wellstart: Promoting Breastfeeding in Health Facilities: A short course for Administrators and Policy Makers; WHO/CDR 93.4)

Beijos

@conversinhademae (no IG)
@conversinhadmae (no Twitter)

Um comentário:

  1. Estou escrevendo sobre o assunto no meu blog e adorei o seu texto!!! Tenho 3 filhas e amamentei as três. A última até os 3 anos de idade!!!
    Parabéns pelo blog!!!
    BJKS

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