sábado, 18 de janeiro de 2014

Cuidados com a visão na infância

O reinício das aulas (ou mesmo a proximidade dele) traz a muitos pais a preocupação com a saúde visual de seus filhos. Às vezes, as crianças dão alguns sinais que acendem o alerta vermelho aos pais de que algo não está bem com seus olhinhos. Outras, isso não é tão percebido logo. Por isso é imprescindível atenção redobrada tanto dos pais como das pessoas que estão mais perto da criança, como professores ou avós, tios, babás, para que, se houver algo, seja detectado logo no início.

Para esclarecer algumas dúvidas e dar algumas orientações, o Conversinha de Mãe entrevistou a oftalmologista especialista em Oftalmologia Pediátrica, Catarata Congênita e Estrabismo, Lusa Reis*. Segundo a médica, não existe uma frequência exata para que os pais levem as crianças ao oftalmologista. Isso vai depender da existência ou não de alguma doença oftalmológica na criança. Para aquelas que tiveram seu último exame normal, a orientação é um retorno anual.

“O que percebo no dia a dia é que alguns pais são fiéis ao retorno. Outros, já nem tanto. Então, estabelecemos um prazo padrão para que mesmo aqueles ‘atrasados’ não sejam tão prejudicados com isso”, disse. No entanto, se a criança apresenta algum problema como miopia, hipermetropia, astigmatismo ou estrabismo os retornos têm que ser mais frequentes: a cada dois, três ou seis meses, dependendo de cada caso.
Dra. Lusa Reis
Primeira consulta
Para a médica, é importante destacar também quando deve ser a primeira consulta oftalmológica da criança. De acordo com Lusa Reis, ela deve ser ainda na maternidade ou até o primeiro mês de vida do bebê, nos consultórios oftalmológicos, para que ele seja submetido ao Teste do Olhinho ou Teste do Reflexo Vermelho. “Após esse teste deve ter outra consulta com oftalmologista especialista em crianças com seis meses a com um ano, depois com três a cinco anos e depois dos sete anos anualmente, supondo que todas as avaliações foram normais”, esclareceu. Confesso que de Beatriz faço a revisão anual, mas Rebeca, até o momento, levei apenas na primeira semana, para o Teste do Olhinho. Preciso corrigir isso!

Volta às aulas
Se esses prazos de ida ao oftalmopediatra forem seguidos, não há necessidade de levar os pequenos ao médico para uma revisão de volta às aulas, pois a criança estará com certa segurança de ter algum probleminha nos olhos diagnosticados precocemente. “Ou seja, não precisa esperar o início das aulas para ir ao oftalmologista. Esse acompanhamento deve ser feito durante toda vida, e com especial cuidado na primeira e segunda infância (dos zero aos sete anos). No período da alfabetização a exigência visual se torna maior, então, se os pais ainda não levaram seus filhos em consulta antes, esse período é momento”, observou Lusa.

Consequências
Os problemas de visão podem causar algumas dificuldades no aprendizado. A oftalmologista contou como exemplo um paciente de 11 anos que ela atendeu que já estava em sua terceira consulta durante a vida pois tem uma leve miopia. “A mãe dele me contou que quando era criança também tinha miopia e via o mundo 1embaçado’ porque achava que era assim mesmo. Somente quando ficou adolescente, na escola, começou a perceber que algo estava estranho. Enfim, ela falou que quando usou seus primeiros óculos as coisas ao redor ganharam ‘vida’, ela agora podia realmente enxergar tudo com mais clareza”, disse.

A médica acrescentou que esse exemplo mostra que uma criança que não vê bem pode ter prejuízos em vários âmbitos da vida, além do aprendizado. A depender do grau de baixa visual a criança pode até ter seu desenvolvimento neuropsicomotor atrasado. “Como diz filósofo: ‘Os olhos são a janela da alma e o espelho do mundo’. Ele não estava errado, pois realmente é através da nossa visão que recebemos todo aprendizado de vida e com isso expressamos através de atos e pensamentos”, destacou. 

A boa notícia é que as doenças que causam cegueira são raras na infância. Lusa disse que, dentre as doenças raras, mas que podem causar baixa visual, destacam-se a desnutrição (principalmente deficiência de vitamina A), catarata congênita, glaucoma congênito, opacidades de córnea causada por ulceras decorrentes de conjuntivite bacterianas, retinopatia da prematuridade e cicatrizes na retina.

Já as doenças mais comuns, que podem ou não causar uma baixa visual mais importantes, são erros refrativos (problemas de “grau’), alergias oculares (que provocam muita “coceira” nos olhos), blefarites (inflamações das pálpebras) e estrabismos (“olhos tortos”).

 Beijos

@conversinhadmae


* Lusa Reis é a especialista em Oftalmopediatria (especialista em crianças) e Estrabismo, do Hospital de Olhos de Sergipe (HOS). Graduada em Medicina pela Universidade Federal de Sergipe, realizou a Residência Médica na Universidade de Santo Amaro/SP com certificado pelo MEC e título de Especialista em Oftalmologia pelo CBO. Especialista em Oftalmopediatria e Estrabismo pela Universidade de Federal de São Paulo (Unifesp). Na sua trajetória profissional, trabalhou como oftalmologista da Apae/SP, adquirindo experiência no exame oftalmológico em pacientes com Síndrome de Down, paralisia cerebral ou outras necessidades especiais.

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