quarta-feira, 6 de novembro de 2013

O perigo dos agrotóxicos presentes nos alimentos para as crianças

A vida inteira a gente ouviu que devia buscar uma alimentação mais saudável, que era preciso estimular os bons hábitos alimentares nas crianças desde cedo, com um cardápio rico em frutas e verduras. E isso é bom, não tenham dúvidas. Ruim mesmo são as notícias que temos lido e ouvido nos últimos dias sobre a qualidade das frutas e verduras que têm chegado à nossa mesa. Isso, sim, é preocupante.

Os resultados do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), realizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), divulgados semana passada, mostraram que 36% das amostras de alimentos pesquisados em 2011 e 29% das analisadas em 2012 apresentaram resultados insatisfatórios. Ou seja, tinham agrotóxico acima do limite máximo permitido ou a amostra tinha resíduo de veneno não autorizado para aquele tipo de alimento pesquisado. As informações são extremamente preocupantes, porque esse levantamento visa avaliar continuamente os níveis de resíduos de agrotóxicos nos alimentos que chegam à mesa do consumidor brasileiro.

Isso significa dizer que, ao invés de saúde, estamos levando, muitas vezes, perigo, risco para a saúde e a vida de nossa família. Nessa pesquisa foram analisadas amostras de 13 alimentos, entre eles arroz, feijão, morango pimentão, tomate, entre outros, alimentos que comumente fazem parte do cardápio diário da maioria dos brasileiros. O pimentão, novamente, foi o campeão de inconformidade.

Leite materno contaminado
Mas confesso que fiquei ainda mais preocupada. Um dos mais importantes estudos sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde já realizados no Brasil (senão o mais importante), o “Dossiê Abrasco - um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde”, entre os seus vários pontos mostrou um que me deixou estarrecida. É sobre a contaminação do leite materno por agrotóxicos. Isso mesmo. Segundo o estudo, parte dos agrotóxicos utilizados tem a capacidade de se dispersar no ambiente, e outra parte pode se acumular no organismo humano, inclusive no leite materno.

“O leite contaminado ao ser consumido pelos recém-nascidos pode provocar agravos a saúde, pois os mesmos são mais vulneráveis à exposição a agentes químicos presentes os enoambiente, por suas características fisiológicas e por se alimentar, quase exclusivamente com o leite materno até os seis meses de idade”, diz o dossiê. Essa pesquisa foi realizada pela Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) com o objetivo de determinar resíduos de agrotóxicos em leite de mães residentes em Lucas do
Rio Verde (MT).

Para tanto, foram coletadas amostras de leite em 62 mamães que se encontravam amamentando da segunda a oitava semana após o parto, residentes em Lucas do Rio Verde. A maioria das doadoras (95 %) tinha, em média, 26 anos de idade e 30% eram mães de primeira viagem e residiam na zona urbana do município. Para surpresa, todas as amostras analisadas apresentaram pelo menos um tipo de agrotóxico analisado.

Imaginem, nem o leite materno, o alimento mais saudável, mais indicado para os bebês, está livre dessa contaminação, pois nós, mães, não estamos imunes a ela também. Fiquei boquiaberta quando ouvi essa informação, durante a participação do professor Fernando Ferreira, pesquisador responsável pelo Dossiê Abrasco e chefe do Departamento de Saúde Coletiva da Universidade de Brasília (UnB).

Efeitos para a saúde infantil
Preocupada diante disso tudo, resolvi dá uma pesquisada para saber quais os efeitos dessa exposição e consumo das crianças de alimentos contaminados com agrotóxicos. Preocupada diante disso tudo, resolvi dá uma pesquisada para saber quais os efeitos dessa exposição e consumo das crianças de alimentos contaminados com agrotóxicos. Não se assustem, mas pesquisadores dizem que os efeitos dos agrotóxicos nas crianças podem ser até 10 vezes mais intensos que nos adultos. Matéria publicada na revista Corpore trouxe dados da pesquisadora científica da Universidade Federal do Paraná, Sônia C. Stertz, doutora em Tecnologia de Alimentos, presidente da Sociedade Brasileira de Ciência e Tecnologia de Alimentos – Regional Paraná, que também mostram que as crianças apresentam níveis duas vezes mais elevados de pesticidas no sangue que os adultos.

Isso porque até os dois anos elas produzem pouco de uma enzima chamada Paraoxonase-1, que ajuda na eliminação de pesticidas organofosforados, sendo que algumas crianças só atingem níveis normais dessas enzimas aos sete anos. À revista, a pesquisadora disse que “dados oficiais do governo americano revelam que pesticidas organofosforados (PO) são encontrados no sangue de 95% das pessoas testadas. Essa exposição aos PO está relacionada à hiperatividade, distúrbios de comportamento, distúrbios do aprendizado, atrasos do desenvolvimento e disfunção motora”, esclareceu.

Fora isso, o agrotóxico no alimento, ao ser ingerido pela população, tem um efeito cumulativo, vai se acumulando no organismo e pode levar a algum tipo de doença crônica não transmissível, principalmente as neurológicas, endócrinas, imunológicas e hoje a questão do aparelho reprodutor, como infertilidade, diminuição do número de espermatozóides e a questão do câncer.

A publicação trouxe ainda o depoimento da pesquisadora da Unicamp, a médica
Silvia Brandalise, que estuda as causas de câncer, principalmente entre crianças. Segundo ela, pesquisas já comprovaram que a exposição aos venenos usados nas plantações está relacionada à leucemia e aos tumores no cérebro. A comida com excesso de agrotóxicos e produtos químicos também faz parte dos fatores de risco.

Reflexão
Esses dados, mais que servirem de alerta, suscitam uma reflexão, especialmente em nós, mamães e papais. O que fazer então? As frutas e verduras são essenciais para a alimentação de qualquer pessoa, principalmente das crianças que estão em fase de crescimento e de formação de bons hábitos alimentares. Infelizmente, não são todas as pessoas que têm acesso a alimentos produzido de forma agroecológica. Então as dúvidas são ainda maiores.

O ideal seria que a gente tivesse condições de plantar numa hortinha aquilo que a gente fosse produzir. Mas, lógico, hoje em dia isso é praticamente impossível para a maioria de nós, simples mortais (infelizmente! Pelo menos pra mim). A dica então é procurar, dar preferência, pesquisar perto de você algum local onde possa comprar, o máximo possível, alimentos produzidos de maneira agroecológica, sem a utilização de agrotóxicos, pesticidas, venenos ou como queiram chamar.

Excluir os alimentos contaminados pode não ser 100% possível, mas buscar reduzi-los o máximo possível já ajuda, né? Outra maneira é procurar lavar, com cuidado, adequadamente esses alimentos antes de serem consumidos. Embora os estudiosos digam que existem certos tipos de agrotóxicos que não têm como ser retirado seus resíduos, porque eles penetram no alimento. E torcer que um dia os produtores tenham conhecimento e consciência dos riscos que estão causando a si próprios, família, comunidade e consumidores pelo uso inadequado dos agrotóxicos na lavoura.

Beijos

@conversinhadmae

Com informações da Anvisa e Revista Corpore

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