domingo, 23 de junho de 2013

Fogos de artifício + criança = risco certo

Hoje à noite, quando voltava para casa, vi algumas fogueiras queimando na frente de algumas casas. É, hoje é véspera de São João e embora não mais na quantidade que via quando era criança, muita gente ainda mantém a tradição de queimar fogueira em homenagem aos santos juninos. Tradição que se mantém forte, principalmente aqui na região Nordeste do país.

Junto com essa tradição, o costume de comer um milhinho assado ou cozido na frente de casa e, lamentavelmente, também de soltar fogos. Enquanto escrevo esse texto, o cheiro da fumaça me incomoda (mesmo morando em condomínio o cheiro da fumaça vindo de outros locais do bairro chega aqui) e o som dos fogos estourando não para. Infelizmente, a soltura de fogos de artifício é uma tradição que deixa muitas vítimas nessa época do ano.

Pensando que há fogos inocentes, muitos pais, tios, avós, padrinhos, amigos acabam dando a crianças, que são as principais vítimas. Não são apenas os fogos que vitimam os pequenos com queimaduras. Há também os líquidos quentes. Na semana passada, minha amiga e também jornalista Aldaci de Souza foi à Unidade de Tratamento de Queimados (UTQ) do Hospital João Alves Filho, o maior da rede pública aqui em Sergipe, e encontrou um garotinho de apenas três anos com boa parte do corpo com queimaduras provocadas por café quente.
Além da dor física do momento da queimadura, as sequelas normalmente ficam para o resto da vida, pois a pele da criança é muito mais sensível. No mês de junho, a UTQ tem um crescimento de mais de 200% no número de ocorrências de queimaduras atendidas. Em junho de 2012, foram registrados 86 atendimentos às vítimas de queimaduras durante os festejos juninos. Desses, 61 casos foram causados por fogos de artifício. Ou seja, mais de 70%.

Todo mundo sabe, mas não custa lembrar: fogos e crianças não combinam! Evite, não dê, NUNCA, para um pequeno soltá-lo. Chuvinhas, bombinhas, cobrinhas e outros “inhas” podem até parecer bonitinhos, inofensivos, mas têm algum poder explosivo e no manuseio podem causar graves queimaduras.

Na hora do preparo de alimentos – especialmente os típicos dessa época do ano: milho, canjica, pamonha, quentão... –, mantenha as crianças longe da cozinha. Depois de preparados, deixe-os num local que elas não possam alcançá-los. Vai que dar uma vontade de experimentá-los antes da hora?!

Mas, se mesmo tomando cuidado acontecer alguma queimadura (seja ela de que tipo for), a primeira recomendação é colocar o local atingido sob água corrente e fria. Se for no corpo da criança, tire toda roupa e coloque a pele em contato com a água. Isso esfria a lesão e evita que ela se espalhe, por causa da propagação do calor. Nunca, em hipótese alguma, coloque qualquer tipo de substância sobre a queimadura.

Tem gente que acha que serve e até recomenda passar manteiga, pó de café, gema de ovo, pomada, creme dental... nada disso serve. Pior, pode até trazer mais problemas ainda. A medida mais imediata é procurar um hospital que trate de queimadura, para que o paciente receba o atendimento necessário.

Beijos


@conversinhadmae

Crédito foto 2 - Aldaci de Souza

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