domingo, 17 de março de 2013

Fim da licença maternidade: a hora da separação

Amor para sempre
O título acima pode até parecer meio dramático para quem está de fora, mas penso que é bem assim que a maioria das mães sente ou sentiu esse momento. Acho que desde que descobre que está grávida um dos grandes dilemas de quase toda mulher é o que fazer com o bebê quando a licença maternidade acabar. Depois que o bebê chega, começa a contagem regressiva para se decidir o que fazer com o rebento quando ela tiver que voltar ao trabalho.

Babá, berçário, a vovó, algum familiar ou mesmo abandonar o emprego para se dedicar ao filho recém-chegado, pelo menos nos primeiros anos, são algumas das opções mais ventiladas pelas mamães. O fato é que não há como fugir disso e essa é uma dúvida cruel, seja das mães de primeira, de segunda, terceira, quarta... viagem.

Posterguei escrever esse post que estava na minha cabeça e já iniciado há váááários dias talvez, inconscientemente, na esperança de que os dias da minha licença maternidade se alongassem e não tivesse eu também que tomar essa tão importante decisão. É, mas o tempo não para. Muito pelo contrário. Parece trabalhar ainda mais rápido quando não é para nos favorecer.

Amanhã completam 120 dias que minha pequena Rebeca nasceu. Isso significa que minha licença maternidade chega ao fim. Hora de voltar ao trabalho. Retomar a rotina abandonada para dar lugar a dias (maravilhosos) apenas dedicados ao lar. Confesso que nunca imaginei que poderia usufruir tanto minha licença para cuidar, conhecer melhor e me apaixonar cada dia mais por esse bebezinho que chegou de forma tão inesperada, mas tão amada.

Antes mesmo dela nascer fiquei pensando como seria minha vida pós-licença. Afinal de contas, além da neném, tem minha filha mais velha pra levar e pegar na escola, trabalho em dois turnos, tarefas domésticas... Pensamentos que continuaram durante cada um dos 120 dias da licença. Depois de muito pensar, pedir orientação a Deus, conversar com meu marido, tive a certeza de que precisava estar mais próximo delas. É o que meu coração já vinha pedindo há algum tempo.

Essa semana tive coragem e tomei uma decisão. Ao invés de trabalhar nos dois horários, optei por trabalhar apenas um, no mesmo em que minha mais velha está na escola, e deixar a neném com minha mãe, ficando o restante do dia com elas em casa, dando mais atenção. Não foi fácil. Mas tenho certeza que é a escolha certa, porque estou com meu coração tranquilo.

A decisão que tomei foi minha. Cada mãe sabe da sua realidade e decide dentro dela o que fazer com o bebê quando acaba esse período da licença maternidade. Mas seja ela qual for, acho que comum a todas nós há certo sentimento de perda com essa ruptura (veja o depoimento abaixo da mamãe Gardênia Bispo). Por ser um momento tão delicado, a psicóloga Edel Ferreira disse que é preciso que a mulher se prepare desde o início para esse momento de separação.

“Ela deve ter consciência de que o período da licença vai acabar e que será preciso retomar a rotina de trabalho sem a presença constante da criança. Isso é importante para que ela continue a produzir seu trabalho com a mesma qualidade de antes, fazendo-a segura e estável no emprego”, destacou a psicóloga. Mas, além disso, acrescentou Edel, essa separação também é importante para o bebê, uma vez que vai lhe conferindo aos poucos uma sensação de independência que será muito necessária nas fases de desenvolvimento subsequentes.

Quando chega esse momento crucial de dúvida sobre onde ou com quem deixar o bebê, na opinião da psicóloga a mãe jamais deve abrir mão do trabalho. Isso porque, ressaltou Edel Ferreira, na sociedade atual, é imprescindível que a mãe, tanto quanto o pai, trabalhe fora de casa e isso não significa falta de amor ou atenção em relação à criança. “De nada adianta a mãe resolver ficar em casa, cuidando do bebê, correndo o risco de se sentir anulada e culpar a criança por ter ‘estragado’ a sua vida, pois isso traria sérios conflitos de relacionamento em idades posteriores”.

Uma sugestão dada por ela é, se houver possibilidade de revezar o horário de ficar em casa cuidando do bebê, mãe e pai podem fazer isso sem qualquer sobrecarga. Caso isso não seja possível, o casal pode decidir a melhor forma de lidar com a nova situação. Se o casal tem possibilidades de contratar uma babá de confiança, essa é uma excelente opção. Creche ou berçário também funcionam bem e, embora o tratamento seja menos pessoal, a criança terá boas oportunidades de socialização com outras crianças da mesma idade.

Para a psicóloga, deixar os filhos com parentes deve ser a última opção, pois deve-se considerar que os familiares também têm suas rotinas, problemas e prioridades e devem ser poupados de responsabilidades extras. “Afinal, se o casal decidiu ter filhos, certamente deve estar seguro de poder criá-los sem incomodar outros membros da família; no entanto, se todas as outras possibilidades forem descartadas, resta conversar com um parente que se disponha a cuidar do bebê, preferencialmente o que tenha mais tempo e mais carinho para cuidar da criança!”, observou.

Fim da licença: depoimento de uma mamãe

Gardênia e o pequeno Gabriel
“Tudo começou com um susto!! POSITIVO!!!
Cada dia, cada mês tudo era uma descoberta: a primeira vez que o vi na ultrassom, a primeira vez que soubemos o sexo, o primeiro chute, a primeira roupinha...
Depois de 9 meses esperando ansiosamente pra ver seu rosto, chega o grande dia! Recebi minha maior herança: Gabriel.
Enviado por Deus! Afinal esse é o significado do seu nome. De repente deixei de ser filha e passei a ser mãe. E continuaram as descobertas: banho, troca de fraldas, novas rotinas, amamentação.. Ahh.. amamentar é uma das coisas mais sublimes que Deus criou. Puro privilégio feminino!!!
A cada dia fui me encantando mais... o primeiro sorriso, as conversas sem sentido, as brincadeiras...
Mas chegou o momento que eu mais temia: o final da licença maternidade.
Nunca pensei que seria tão difícil. De repente um monte de medos invadiu minha mente. Quem vai cuidar dele como eu? Será que vão entender o que ele está querendo quando chorar? Será que vão dar a comida na hora certa? Será que ele vai sentir minha falta? E eu? Como eu vou conseguir me concentrar no trabalho longe dele??? Ai meu Deus!!! Porque esse momento existe?
Não posso negar que não tenho sofrido cada vez que penso nisso. Várias vezes me peguei chorando enquanto ele mamava. Pra aliviar a tensão, por várias vezes conversei com ele explicando o porquê que a mamãe tinha que trabalhar.
Mas como Deus sempre cuida de nós, quase em cima da hora, uma novidade acalma os ânimos: minha irmã se ofereceu pra ficar com ele! Ai que alívio! Pelo menos sei quem vai estar cuidando e como vai cuidar. Como eu disse deu pra acalmar, mas não pra me conformar.
Depois de 20 dias trabalhando, pude ver que ele ficou bem. Continua comendo bem, dormindo bem. Eu é que sofro mais do que ele! Rs... Eu não vi quando ele falou “papapai” pela primeira vez, não vi o primeiro “besourinho”.. Como isso me deixou triste! Mas sei que, apesar de ficar longe dele e de estar perdendo esses momentos preciosos, é trabalhando que poderei proporcionar a ele uma qualidade de vida muito melhor.”
Gardênia Bispo, mãe de Gabriel, de 6 meses

Beijos

@conversinhadmae

4 comentários:

  1. Linda matéria, lindo depoimento, é tudo muito difícil e complicado, só deus mesmo para nos dar uma orientação no que fazer e como fazer.

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  2. Gente, essa fase de fim de licença maternidade é uma loucura. Tem várias coisas para resolver na nossa rotina e na dos bebês.. Um dos assunto que mais preocupa é alimentação, se vai aceitar a papinha direito, o que é bom dar, o que faz bem, o que tem que evitar e tudo isso que vocês já sabem e podem até estar preocupadas também..

    Eu descobri que com menos de 40 minutos por dia da para fazer uma papinha saudável, tipo, sem agrotóxicos e essas coisas. Queria compartilhar aqui pois pode ser de interesse de mais alguém.

    http://seucursoweb.com/estilo-de-vida/e-book-o-manual-das-papinhas/

    Espero ter ajudado, grande abraço.

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  3. emocionante o depoimento, (chorando horrores) passo pela a mesma situação, estou desesperada, sem saber o que faze, sinto que não estamos prontas, só sei chorar. e agora? isso é muito difícil, senhor jesus...nos ajude!

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  4. Eu também estou aqui super angustiada sentindo a falta o meu bebezinho. Cada dia com ele foi uma novidade, dias de muita emoção, de tensão e de alegria. A separação é inevitável mas dói muito!!!! Retornei segunda após seis meses com meu filhote em casa!

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