sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Guerra declarada ao andador



Há muito que ele é considerado um vilão pelos pediatras. Agora a “guerra” foi definitivamente declarada contra os andadores. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) iniciou uma campanha em todo país que visa abolir a recomendação do uso de andadores para bebês. A intenção da entidade que congrega mais e 16 mil pediatras brasileiros é evitar esse tipo de objeto que considera como desnecessário e perigoso.

Os especialistas dizem que o andador mais que ajudar no desenvolvimento da marcha na fase que a criança começa a dar os primeiros passos acaba sendo muito perigoso à integridade física dos bebês. Este ano, um bebê com nove meses de idade, na cidade de Jequié, na Bahia, que estava em um andador caiu de uma escada com cerca de dez degraus. Antes mesmo de chegar ao hospital, a criança morreu depois de ter tido uma fratura cervical.

Não é de hoje que a SBP se mostra contra ao uso dos andadores, pois não enxergam nele alguns quesitos alegados pelos pais para seu uso, como segurança, independência do bebê, o desenvolvimento e o exercício físico, entre outros. Estudos feitos por pediatras mostraram que a cada ano são realizados cerca de dez atendimentos nos serviços de emergência para cada mil crianças com menos de um ano de idade, provocados por acidentes com o andador.

Isso significa que há pelo menos um caso de traumatismo para cada duas a três crianças que utilizam o andador. “Em um terço dos casos, as lesões são graves, geralmente fraturas ou traumas cranianos, necessitando hospitalização. Algumas crianças sofrem queimaduras, intoxicações e afogamentos relacionados diretamente com o uso do andador, mas a grande maioria sofre quedas; dos casos mais graves, cerca de 80% são de quedas de escadas”, diz a SBP em artigo publicado em seu site no qual defende sua posição contrária à recomendação do andador.

Para os pediatras, o andador confere independência à criança, mas numa fase em que ela ainda não tem noção de perigo, o que acaba contribuindo para o maior risco de traumas. “Colocar um bebê de menos de um ano num verdadeiro veículo que pode atingir a velocidade de até 1 m/s equivale a entregar a chave do carro a um menino de dez anos”, alertam os pediatras.

Além disso, eles dizem que o andador atrasa o desenvolvimento psicomotor da criança, ainda que não muito. Isso porque bebês que utilizam andadores levam mais tempo para ficar de pé e caminhar sem apoio. Além disso, engatinham menos e têm escores inferiores nos testes de desenvolvimento. O exercício físico é muito prejudicado pelo uso do andador, pois, embora ele confira mais mobilidade e velocidade, a criança precisa despender menos energia com ele do que tentando alcançar o que lhe interessa com seus próprios braços e pernas.

Em alguns países, a comercialização de andador já é proibida, como o Canadá. Em outros da Europa e nos Estados Unidos estudam implantar lei semelhante para evitar mais crianças vítimas. O Brasil dá os primeiros passos nesse sentido. Com o início da campanha da Sociedade Brasileira de Pediatria, a Associação Brasileira de Produtos Infantis  (Abrapur) classificou como um retrocesso tentar proibir andadores. Ela defende que se crie uma regulamentação para a venda do produto, a exemplo do que já existe com outros voltados para o público infantil. Essa semana, a SBP e o Inmetro se reuniram para discutir a questão.

Eu mesmo nunca usei andador para minha filha mais velha, Beatriz. Sempre achei meio arriscado. Ver a criança disparando naquele “carrinho” cheio de rodas, com passos descompassados não é uma visão das mais estimulantes no que se refere ao desenvolvimento da criança. E com tantos pontos negativos apontados por especialistas, acho que é o caso de, realmente, se pensar duas vezes.

E qual a opinião de vocês? Seus filhos usaram? Digam aqui o que acham.

Beijos

@conversinhadmae

Com informações do site SBP

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