quarta-feira, 25 de julho de 2012

Ensinando as crianças a poupar desde cedo



Num tempo em que dinheiro não anda sobrando na carteira e na conta corrente de quase ninguém, saber como utilizar bem cada centavinho é uma riqueza. Ensinar isso às crianças desde pequenas é ainda mais importante. Economistas dizem que isso é fundamental para evitar que se tornem adultos endividados, que vivam acima das possibilidades por puro e simples desejo de status.

Não significa dizer que para isso é preciso ensinar os pequenos a serem pães-duro. Não! O segredo está no equilíbrio (como tudo na vida) e na educação financeira desde cedo. Existe até um projeto de lei que pretende incluir a educação financeira no currículo escolar. Segundo o economista pela PUC-SP e especialista em gestão financeira e investimentos pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), Richard Rytenband, o ser humano está condenado a ser um perdedor financeiro por características inerentes a espécie humana: preferência por recompensas de curto prazo a longo prazo, não processar corretamente situações que envolvem probabilidades e pensar em termos relativos.

Mas a grande dúvida é como ensinar inteligência financeira para as crianças. Ele disse que o primeiro passo é associar o hábito de lidar com o dinheiro a algo benéfico e natural. “Chega de tornar este tema algo proibido, ou visto como complicado pela criança”, disse. O segundo é ensinar desde cedo à importância de se abrir mão das recompensas de curto prazo. O famoso teste do marshmallow do psicólogo, Walter Mischel, comprova esta tese. No final dos anos 60, o psicólogo realizou um estudo na Universidade de Stanford, nos Estado Unido, com o intuito de testar a capacidade das pessoas de adiar uma satisfação.

Mischel recrutou crianças de diversas idades e as colocou num quarto, sentadas de frente para uma mesa com um prato de marshmallow. Explicou para as crianças que poderiam comer o marshmallow na hora, ou esperar um pouco mais e ganhar dois, a reação de cada uma delas foi registrado por câmeras ocultas. O objetivo do psicólogo era medir quanto tempo cada criança conseguiria resistir ao impulso de comer o doce.

O experimento observou inicialmente que a partir dos quatro anos de idade as crianças passavam a ter autocontrole e não comiam o doce imediatamente e a variação do tempo que os pequenos  conseguiam se controlar foi grande. Após alguns anos, as crianças que mais tiveram autocontrole eram, pessoas adultas com mais sucesso tanto profissional quanto pessoal.

Entretanto, o economista ressalta que não tem sentido os pais tentarem ensinar algo aos filhos que eles mesmos não praticam. Isso porque as crianças se espelham nos pais e tendem a imitar o que são e o que fazem.  Richard Rytenband dá a seguir algumas dicas valiosas para ensinar educação financeira às crianças:

- Mostre que é preciso ganhar primeiro antes de pensar em gastos;

- Dê uma modalidade de mesada que incentive a criança a esperar para ganhar mais. Prometa um valor maior caso ela seja paciente;

- Incentive a criança a poupar e investir desde cedo, é importante adquirir o hábito de investir regularmente. Ensine a criança que investir é comprar algo que vai colocar mais dinheiro no bolso dela e permitir que ela compre mais coisas no futuro. E o mais importante que apenas poupar não basta já que o preço de tudo no futuro será maior;

- Aprender a negociar e pesquisar preços desde cedo é imprescindível;

- Mostre que o dinheiro é apenas um meio de troca para ter acesso aos bens e serviços e que o grande segredo está em ter o conhecimento necessário para ter cada vez mais dinheiro através do trabalho, estudos e de investimentos;

- Utilize filmes e livros para estimular a inteligência financeira, como a fábula “A Cigarra e a Formiga”, “João e o Pé de Feijão”, “José do Egito”, o “Filho Pródigo” e jogos de tabuleiro como o “Banco Imobiliário” que ensina a importância de investir em fluxo de caixa.

Beijos

@conversinhadmae

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