segunda-feira, 18 de junho de 2012

Férias chegado, cuidado redobrado com as crianças



Depois de meses de aulas, estudos e muitas provas, a partir dessa semana tem início o período de férias escolares em algumas escolas da rede particular em Aracaju. A presença por mais tempo das crianças em casa significa necessidade de cuidados redobrados dos pais. Toda atenção é pouca para evitar que elas sejam vítimas de acidentes domésticos. É assustador, mas dados do Ministério da Saúde mostram que os acidentes, ou lesões não intencionais, são a principal causa de morte de crianças e adolescentes de um a 14 anos no Brasil.

Por ano, cerca de  4,7 mil crianças morrem e 125 mil são hospitalizadas por esse motivo. Geralmente quando não vêm a óbito muitas dessas vítimas ficam com sequelas, sejam físicas, emocionais ou sociais. Estudos mostram que 90% desses acidentes poderiam ser evitados com simples medidas de prevenção.

Embora sem dados exatos sobre o atendimento a crianças vítimas de acidentes domésticos em Sergipe pediatras confirmam que há um aumento no atendimento a esse tipo de casos no período de férias escolares. A presidente da Sociedade Sergipana de Pediatria (Sosep), Glória Tereza Lopes, ressaltou que com criança não se pode descuidar um só minuto. Todo cuidado é pouco para evitar que elas se acidentem, até mesmo dentro da própria casa, onde os pais julgam estar seguras. Coisas simples, como o ambiente da cozinha, sacolas plásticas, baldes, bacias, um aparelho de televisão ou um simples brinquedo podem se transformar em armadilhas e acabar levando a criança à urgência de um hospital. “O principal é não deixar nunca a criança sem monitoramento de um adulto. Nunca se deve confiar que a criança é boazinha”, alertou.

A pediatra disse que são comuns nos serviços de urgência chegarem casos de crianças acidentadas com pequenos objetos introduzidos no ouvido ou nariz, quedas e queimaduras. Foi brincando que uma criança de três anos introduziu no nariz um pedaço de bola de látex (bola de assopro) no nariz enquanto brincava. A brincadeira tem causado muitos transtornos à garota, porque desde o mês de abril ela espera para fazer o procedimento cirúrgico para a retirada do material. O corpo estranho em seu organismo tem causado muita febre e dores na menina, além de dificuldade para dormir.
 
Glória Tereza acrescentou que em Sergipe como o período de férias do meio do ano coincide com os festejos juninos há um risco maior de acidentes com queimaduras. “Por isso a recomendação é não deixar as crianças brincarem com fogos, pois, além de poder causar queimadura, podem trazer lesões nos ouvidos”, disse. Para a médica, os pais devem adotar todos os cuidados necessários e estar sempre atentos a tudo dentro de casa e ao saírem para passear com os pequenos. Em casa, disse ela, devem sempre evitar que as crianças permaneçam na cozinha, supervisione a subida e descida em escadas, evitar colocação de móveis próximo a janelas.

Cozinha não é lugar de criança: cuidado ainda maior com a queimaduras


A curiosidade, tão comum a crianças e adolescentes, pode ser decisiva e levar a um acidente com eles. Foi o que aconteceu a um garoto de 13 anos, que foi parar na Unidade de Tratamento de Queimados (UTQ) do Hospital João Alves Filho com queimaduras pelo corpo causada por fogos de artifício. O vizinho havia acendido uma bomba, que não estourou. O homem jogou fora o fogo de artifício. O garoto, curioso, foi pegar e a bomba acabou explodindo em suas mãos. O adolescente teve queimaduras no rosto, braço e torax.

A cirurgiã plástica coordenadora do Serviço de Cirurgia Plástica do Hospital João Alves e Unidade de Tratamento de Queimados (UTQ), Madeleine Ramos, disse que felizmente não houve amputação e o menino já recebeu alta médica da unidade, mas ressaltou que a curiosidade nesses casos, geralmente, é o principal causador desses acidentes entre crianças e adolescentes.

Esse ano, já foram atendidas 50 crianças na UTQ, o que representa 50% do total de pacientes que deram entrada na unidade especializada do hospital. Somente neste mês de junho três crianças foram internadas na UTQ vítimas de queimaduras causadas por fogos de artifício. Duas meninas foram atendidas logo na primeira semana com queimaduras relativamente simples e receberam alta logo em seguida. Na semana passada, foi registrado o caso desse adolescente de 13 anos, que também já recebeu alta médica.

As outras crianças atendidas foram por outros tipos de acidentes domésticos, como queimaduras elétricas e com produtos químicos. A unidade também recebeu na última semana uma criança com três anos com queimaduras causadas por produto químico. O garoto precisou realizar cirurgias por conta da queimadura. No ano passado, no período junino, entre as crianças atendidas na UTQ, três foram casos mais graves. Pacientes com idades de nove, 12 e 13 anos tiveram os dedos amputados, no ano passado no período junino.

Madeleine disse que entre as crianças até os cinco anos a principal causa de queimaduras são os líquidos superaquecidos. A partir dessa faixa etária, quando já estão caminhando e começando a “explorar” a casa, com a curiosidade aguçada, aumentam as ocorrências causadas por substâncias inflamáveis, como álcool. A cirurgiã disse que já foi atendido um caso de um irmão que tocou fogo no outro, utilizando álcool. À medida que as crianças vão crescendo aumentam também os casos de queimaduras causadas por eletricidade. “Por isso nas férias os pais devem ter atenção redobrada, pois as crianças estão mais tempo em casa. No entanto, os agentes causadores são os mesmos que estão presentes durante todo ano”.

A coordenadora da UTQ disse que, infelizmente, a ocorrência de queimaduras em crianças e adolescentes é durante todo ano. No entanto ela reconhece que a permanência dos pequenos por mais tempo em casa acaba aumentando o risco. Por isso é fundamental os pais e responsáveis terem atenção redobrada com eles e evitar ao máximo descuidos que possam levar à possibilidade de queimadura. “Queimadura é como uma tatuagem: marca para o resto da vida, tanto do ponto de vista psicológico como estético. Dependendo da gravidade da lesão, a pessoa vai precisar passar por várias cirurgias”, destacou Madeleine Ramos.

Mais vulnerável
Segundo a médica, a criança acaba sendo mais vulnerável às queimaduras e seus efeitos por alguns fatores. Entre eles, o fato de possuir os tecidos do corpo mais delicados, não terem a previsibilidade do perigo como o adulto e possuir reflexo de defesa diminuído. “O nosso alerta é no sentido de não dar fogos de artifício a crianças, mesmo os que não têm poder ou baixo poder explosivo, como chuvinhas, porque a faísca pode atingir a roupa da criança e causar queimaduras”, observou Madeleine Ramos.

Outro cuidado que os pais e demais adultos devem ter na supervisão de crianças é na cozinha, por conta dos líquidos superaquecidos. A coordenadora do serviço de Cirurgia Plástica do Hospital João Alves relatou que já chegaram casos de crianças queimadas com água de cuscuzeiro, com canjica, café. Geralmente esse tipo de acidente acontece porque são deixadas panelas sobre a mesa e a criança puxa a toalha ou panelas sobre o fogão com o cabo virado para o lado de fora.

O cuidado deve ser redobrado com fogueiras, combustíveis, principalmente o álcool líquido, e produtos químicos, como ácidos. Em casa, outro agente comum causador de queimaduras em crianças é a eletricidade, causadas quando a criança coloca o dedo na tomada ou toca fios desencapados. “A queimadura elétrica é sempre mais grave e seu potencial letal é aumentado. Por isso deve se ter muito cuidado”, alertou.

Cuidados
Se mesmo com todos os cuidados a criança ou adolescente for vítima de queimadura, a orientação é que não seja colocado nenhum tipo de produto sobre a lesão. É que muita gente tem o hábito de colocar creme dental, pó de café, manteiga, clara de ovo e até mesmo urina em cima da queimadura, para aliviar a dor no local. Mas a cirurgiã plástica Madeleine Ramos disse que nada disso deve ser utilizado.
Em caso de queimadura, a orientação é que o local afetado seja lavado em água corrente, em temperatura ambiente, para resfriar a área. Em seguida, deve se envolver o local queimado com um pano limpo. “E depois a pessoa deve ser levada para uma unidade de saúde, para que o médico possa atender e determinar a necessidade de ser avaliado por um especialista”, disse.

Prevenir sempre!!!!!

Para ajudar quem vai ficar esse período de férias com as crianças em casa, trazemos algumas dicas que podem ser adotadas não apenas nessa época, mas no dia a dia, durante todo ano, reduzindo assim os riscos de acidentes. As dicas são da Organização Não-governamental Criança Segura e falam sobre vários ambientes em que são mais comuns as crianças serem vítimas de acidentes.


Casa
- Guarde sacos e sacolas plásticas longe do alcance de crianças pequenas, para que na hora da brincadeira elas não os coloque na cabeça e cause, assim, a própria asfixia;
- Para evitar que crianças escorreguem ou tropecem no chão, evite o uso de tapetes ou opte pelas versões antiderrapantes;
- Armazene baldes e bacias, vazios ou em uso, sempre de cabeça para baixo e longe do alcance de crianças. E não se esqueça de manter a bacia vazia após o uso.

Brinquedos
- Embora proporcionem diversão e estimulem o aprendizado, os brinquedos também devem ser alvo de cuidados. O primeiro deles é observar se o modelo possui o selo do Inmetro na embalagem, indicando a faixa etária adequada;
- A brincadeira deve ser sempre supervisionada à distância por um adulto.  Observe a presença de potenciais riscos, como partes pequenas que podem se soltar, pontas afiadas e arestas. Conserte o brinquedo imediatamente ou mantenha-o fora do alcance da criança;
- Evite utilizar balões de látex (bexigas). Se realmente precisar utilizá-los, guarde-os fora do alcance das crianças e supervisione-as durante toda a brincadeira. Não permita que crianças encham balões e tenha muito cuidado com os pedaços de bexigas estouradas, pois podem ser acidentalmente ingeridos pelas crianças e ocasionar sérias consequências. Após o uso, esvazie as bexigas e descarte-as juntamente com eventuais pedaços;
- Brinquedos com correntes, tiras e cordas com mais de 15 cm devem ser evitados para reduzir o risco de estrangulamento;
- Brinquedos elétricos podem causar queimaduras. Evite brinquedos com elementos de aquecimento, como baterias e tomadas elétricas, para crianças com menos de oito anos;
- Certifique-se de que os brinquedos serão usados em ambientes seguros. Brinquedos conduzidos pela criança não devem ser usados próximo a escada, rua, piscina, lago, etc.;
- Presentes como bicicletas, patins, patinetes e skates são boas oportunidades para ensinar às crianças sobre segurança na diversão. Presenteie a criança com os equipamentos de segurança necessários como capacete, joelheira, cotoveleira, luvas e buzina. O capacete pode reduzir o risco de lesões na cabeça em até 85%;
- Ensine a criança a guardar os brinquedos depois de usá-los como atitude de prevenção aos acidentes.


Envenenamento e intoxicação
- Com as crianças mais tempo em casa, cuidado redobrado, porque a tendência é que elas procurem explorar o espaço. A curiosidade é comum nessa fase. Colocar objetos na boca ou tentar pegar frascos com líquidos coloridos são comportamentos característicos das crianças, mas que também podem colocá-las em grande risco de envenenamento e intoxicação não intencional. O envenenamento é a quinta causa de hospitalização por acidentes com crianças de um a quatro anos;
- Guarde todos os produtos de higiene e limpeza, venenos e medicamentos trancados, fora da vista e do alcance das crianças;
- Mantenha os produtos em suas embalagens originais. Nunca coloque um produto tóxico em outra embalagem que não a de origem. Isso pode confundir a criança;
- Cuidado com produtos caseiros, que vêm em embalagem que elas conhecem como de refrigerante e em apresentação colorida, que atraem sua atenção;
- Dê preferência a embalagens com tampas a prova de abertura por crianças. Essas tampas de segurança não garantem que a criança não abrirá a embalagem, mas podem dificultar bastante, a tempo de que alguém intervenha;
- Nunca deixe produtos venenosos sem atenção enquanto os usa;
- Nunca se refira a um medicamento como doce. Isto pode levar a criança a pensar que não é perigoso ou que é agradável de comer. Como as crianças tendem a imitar os adultos, evite tomar medicamentos na frente delas;
- Jogue fora medicamentos com data de validade vencida e outros venenos potenciais. Procure por produtos de limpeza que você não utiliza mais e desfaça-se deles;
- Mantenha telefones de emergência (Samu: 192 e Corpo de Bombeiros: 193) próximos aos aparelhos de telefone de sua casa. Peça para os avós, parentes e amigos fazerem o mesmo;
 - Em caso de intoxicação, entre em contato imediatamente com o pronto-socorro ou Centro de Informação e Assistência Toxicológica (3259-3645 e 3216-2677) para receber orientações adequadas.


 Parquinho
- Conheça os parquinhos onde as crianças brincam. Procure equipamentos apropriados para a idade das crianças e verifique se os equipamentos estão enferrujados, quebrados ou contêm superfícies perigosas. Denuncie qualquer problema à escola ou ao órgão responsável;
- O parquinho dever ser instalado em piso que absorva impacto, como um gramado, um piso emborrachado ou areia fina. Jamais deve ser instalado em piso de concreto ou pedra;
- Tire o capuz e o cachecol de todas as crianças para evitar perigos de estrangulamento nos parquinhos.
- Ensine à criança as regras de comportamento nos parquinhos, como não empurrar, não dar encontrões e nem se amontoar. Mostre quais são os equipamentos apropriados para a faixa etária dela.

Queda
- As quedas representam a principal causa de internação entre os acidentes com crianças e adolescentes de até 14 anos no Brasil. Por isso, as crianças devem brincar em locais seguros. Escadas, sacadas e lajes não são lugares para brincar;
- Use portões de segurança no topo e na base das escadas. Caso a escada seja aberta, instale redes ao longo dela;
- Instale grades ou redes de proteção nas janelas, sacadas e mezaninos. As redes devem ter espaços de no máximo 6 cm;
- Crianças com menos de seis anos não devem dormir em beliches. Se não tiver escolha, coloque grades de proteção nas laterais;
- Mantenha camas, armários e outros móveis longe das janelas, pois podem facilitar que crianças os escalem e se debrucem para fora do prédio ou casa. Além disso, verifique se os móveis e o tanque da lavanderia estão estáveis e fixos;
- Crianças devem ser sempre observadas quando estiverem brincando nos parquinhos. O risco de lesão é quatro vezes maior se a criança cair de um brinquedo com altura superior a 1,5 m. Verifique se os brinquedos estão em boas condições e se são adequados à idade da criança. O piso deve ser de absorção para a queda, como gramas, areia e borrachões com espessura acima de 3 cm;
- Crianças não devem brincar perto de barreiras e barrancos.
- A queda de objetos pesados sobre a criança, como televisores, por exemplo, também pode causar lesões graves e até a morte. A televisão costuma ser muito atrativa para os pequenos, com tantos botões, imagens e sons. A criança pode tentar mexer sozinha no eletrodoméstico ou mesmo equilibrar-se nele para levantar do chão, causando a queda da TV - ou qualquer outro objeto pesado – sobre ela. Por isso, supervisione sempre a criança, mesmo que em uma atividade a princípio sem riscos como assistir TV. Certifique-se de que os móveis, além de fixos e estáveis, podem suportar bem o peso do aparelho.

Beijos

@conversinhadmae

Esta matéria feita por mim foi publicada na edição dos dias 17 e 18 de junho de 2012 do Jornal da Cidade

7 comentários:

  1. Adorei o post!! Muito verdade! Maginaaa deixar o filho ficar perto da cozinha para "brincar"...jamais! Por isso que eu sempre compro brinquedos educativos pras minhas crianças e que tenham o selo do Inmetro (http://www.tricae.com.br/brinquedos/)! Vou acompanhar o blog, adorei!!
    Bjs, Ana Lu

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