quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Dia de Combate ao Câncer Infantil

Confesso que dá uma dor no coração ver uma criança com a cabecinha toda raspada, coberta algumas vezes por um chapeuzinho. Ao olhar já dá para imaginar o sofrimento que ela e a família passam ao receber a notícia da detecção de um câncer. Mas ao mesmo tempo é uma lição de vida ver a disposição que elas têm, a garra, apesar da pouca idade, que têm em lutar pela vida. É, realmente, uma verdadeira lição.

Hoje, em todo Brasil, é comemorado o Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantil. Infelizmente, ainda é uma doença que acomete muitas crianças e adolescentes. Fui atrás de dados e informações no Instituto Nacional do Câncer e descobri que a cada ano são milhares de novos casos descobertos. No ano de 2009, a estimativa era de 9 mil novos casos. Em 2007, mais de 3 mil crianças morreram por câncer. Assim como em países desenvolvidos, no Brasil, o câncer já representa a primeira causa de morte por doença entre crianças e adolescentes de um a 19 anos, em todas as regiões.

A boa notícia é que nas últimas quatro décadas, o progresso no tratamento do câncer na infância e na adolescência foi extremamente significativo. Por conta disso, hoje, em torno de 70% das crianças e adolescentes acometidos de câncer podem ser curados, se diagnosticados precocemente e tratados em centros especializados. A maioria deles terá boa qualidade de vida após o tratamento adequado.

O câncer infantil corresponde a um grupo de várias doenças que têm em comum a proliferação descontrolada de células anormais e que pode ocorrer em qualquer local do organismo. Os tumores mais frequentes na infância e na adolescência são as leucemias (que afeta os glóbulos brancos), os do sistema nervoso central e linfomas (sistema linfático).

Também acometem crianças e adolescentes o neuroblastoma (tumor de células do sistema nervoso periférico, frequentemente de localização abdominal), tumor de Wilms (tipo de tumor renal), retinoblastoma (afeta a retina, fundo do olho), tumor germinativo (das células que vão dar origem aos ovários ou aos testículos), osteossarcoma (tumor ósseo) e sarcomas (tumores de partes moles).

No Brasil, assim como no contexto mundial, as leucemias foram os tipos de cânceres mais frequentes. Seu percentual mediano, que é de 29%, variou de 19%, em Aracaju (SE), a 42,5%, em Manaus (AM). Com relação à faixa etária, observou-se que na faixa etária de um a quatro anos as leucemias foram de maior ocorrência (31,6%). Para os linfomas, a maior ocorrência foi entre os adolescentes de 15 a 18 anos (35,6%). Já para os tumores de SNC, as faixas etárias de 1-4, 5-9 e 10-14 apresentaram percentual mediano semelhante (cerca de 26%). O perfil da incidência observado nos Registros de Câncer de Base Populacional (RCBP) brasileiros assemelha-se ao apresentado por países em desenvolvimento.

Prevenção e Detecção Precoce
Nos tumores da infância e adolescência, até o momento, não existem evidências científicas que deixem claro a associação entre a doença e fatores ambientais. Logo, prevenção é um desafio para o futuro. A ênfase atual deve ser dada ao diagnóstico precoce e orientação terapêutica de qualidade

Diferentemente do câncer do adulto, o câncer infanto-juvenil geralmente afeta as células do sistema sanguíneo e os tecidos de sustentação. Por serem predominantemente de natureza embrionária, tumores na criança e no adolescente são constituídos de células indiferenciadas, o que, geralmente, proporciona melhor resposta aos tratamentos atuais.

O tratamento do câncer começa com o diagnóstico correto. Para isso, é necessário um laboratório confiável e o estudo de imagens. Pela sua complexidade, o tratamento deve ser feito em centro especializado. Ele é feito em três modalidades principais: quimioterapia, cirurgia e radioterapia, sendo aplicado de forma racional e individualizada para cada tumor específico e de acordo com a extensão da doença.

O trabalho coordenado de vários especialistas (oncologistas pediatras, cirurgiões pediatras, radioterapeutas, patologistas, radiologistas, enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos, nutricionistas, farmacêuticos) também é determinante para o sucesso do tratamento. Tão importante quanto o tratamento do câncer em si, é a atenção dada aos aspectos sociais da doença, uma vez que a criança e o adolescente doentes devem receber atenção integral, no seu contexto familiar. A cura não deve se basear somente na recuperação biológica, mas também no bem-estar e na qualidade de vida do paciente. Neste sentido, não deve faltar ao paciente e à sua família, desde o início do tratamento, o suporte psicossocial necessário.

Sintomas
Os pais devem estar alertas para o fato de que a criança não inventa sintomas. Ao sinal de alguma anormalidade, a orientação é levar o filho ao pediatra para avaliação. Na maioria das vezes, os sintomas estão relacionados a doenças comuns na infância, mas isto não deve ser motivo para descartar a visita ao médico. Por esse motivo, justamente, muitas vezes o diagnóstico acontece tardiamente.

A manifestação clínica dos tumores infanto-juvenis pode não diferir muito de doenças benignas (sem maior gravidade) comuns nessa faixa etária. Muitas vezes, a criança ou o jovem está em razoáveis condições de saúde no início da doença. Por esse motivo, o conhecimento do médico sobre a possibilidade da doença é fundamental. 

Conheça algumas formas de apresentação dos tumores da infância:
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• Nas leucemias, pela invasão da medula óssea por células anormais, a criança se torna mais sujeita a infecções, pode ficar pálida, ter sangramentos e sentir dores ósseas.

• No retinoblastoma, um sinal importante é o chamado "reflexo do olho do gato", embranquecimento da pupila quando exposta à luz. Pode se apresentar, também, através de fotofobia (sensibilidade exagerada à luz) ou estrabismo (olhar vesgo). Geralmente, acomete crianças antes dos três anos. Atualmente, a pesquisa desse reflexo pode ser feita desde a fase de recém-nascido.

• Aumento do volume ou surgimento de massa no abdômen pode ser sintoma de tumor de Wilms (que afeta os rins) ou neuroblastoma.

• Tumores sólidos podem se manifestar pela formação de massa, visível ou não, e causar dor nos membros. Esse sintoma é frequente, por exemplo, no osteossarcoma (tumor no osso em crescimento), mais comum em adolescentes.

• Tumor de sistema nervoso central tem como sintomas dores de cabeça, vômitos, alterações motoras, alterações de comportamento e paralisia de nervos

Espero que essas informações nos ajude a estar atentos enquanto pais, tios, tias, avós e amigos de pais de crianças e que possamos disseminá-las.

Beijos

@conversinhadmae

Com informações do INCA

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