terça-feira, 25 de outubro de 2011

Dor de cabeça em criança

Se você pensa que dor de cabeça é um problema exclusivo de pessoas adultas, está completamente enganado. Esta é uma enfermidade que acomete cada vez mais crianças. Imagine, se em nós que já somos grandes essa dorzinha incomoda muuuito, pense nos pequenos?! Eu mesmo estou há alguns dias com uma crise de enxaqueca terrível. Uma pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Cefaleia, coordenada pelo neurologista Marco Antônio Arruda, sobre a ocorrência de dor de cabeça em crianças mostrou que 81,2% das crianças e adolescentes na faixa etária dos cinco aos 18 anos já tiveram dor de cabeça alguma vez na vida.

Isso mesmo! Um percentual bem elevado, né? Este foi o maior estudo brasileiro feito sobre a saúde mental infantil. A pesquisa analisou dados de 6.383 crianças e adolescentes de 18 Estados e 87 cidades. Segundo o pesquisador que coordenou o estudo, por causa da cefaleia, 89% perdem ao menos dois dias de aula por ano.

Às vezes, como quase sempre doenças que acometem crianças, a gente fica muitas vezes sem entender as queixas que elas nos apresentam. Ainda mais no caso de dor de cabeça, que sabe bem o incômodo que é quem está sentido. Mas é importante que nós, pais e adultos que estão próximos dos pequenos, possamos estar atentos. Isso porque pode ser apenas uma dorzinha de cabeça, mas também pode ser sinal de alguma coisa mais grave.

Nós procuramos um especialista em cefaléia, o neurologista Alan Chester, grande estudioso do problema, para falar para nos falar sobre como identificar e como agir em casos de dor de cabeça em crianças. A seguir, confira a entrevista feita pelo blog Conversinha de Mãe com o neuro.

Conversinha de Mãe – A partir de quando os pais devem se preocupar com queixas de dor de cabeça em crianças? Quando e como desconfiar se é apenas uma “manha” ou alguma coisa séria?
Alan Chester – Sempre devemos nos preocupar com a queixa de cefaléia na infância, pois, apesar de a enxaqueca e a cefaléia tensional serem muito prevalentes nessa faixa etária, também são muito frequentes as cefaléias secundárias, ou seja, aquelas relacionadas a lesões expansivas do cérebro e cerebelo (tumores, por exemplo, benignos ou não). Claro que quão mais frequentes forem as queixas, maior deve ser o cuidado, mas nunca devemos pormenorizar a queixa de dor de cabeça, principalmente na infância

CM – Que fatores podem causar dores de cabeça em crianças?
AC – Quando se fala de “causa” devemos levar em consideração a predisposição genética da criança. É muito raro encontramos uma criança com enxaqueca e que não tenha um parente de primeiro grau com quadro semelhante, não necessariamente na mesma frequência e intensidade. Agora quanto aos desencadeantes, podem ser vários: jejum, sono (falta ou excesso), alimentos, situações de estresse...

CM – Como tratar isso? Existem remédios específicos indicados?
AC – O tratamento sempre deve começar com o autoconhecimento. Tentando identificar os gatilhos para o aparecimento das crises e consequentemente evitá-los. Quando as medidas não medicamentosas não são suficientes para o controle, medicamentos podem, sim, ser utilizados; tanto para as crises propriamente ditas como para a prevenção das mesmas. O guia para o tratamento sempre será baseado na frequência de crises e no impacto social causado pelas mesmas

CM – Pela pesquisa da Sociedade Brasileira de Cefaleia, em que faixa etária as dores de cabeça foram mais comuns?
AC – Em crianças pequenas (até os 10 anos de idade), os meninos são mais acometidos que as meninas e a partir desta idade a relação se inverte, muito provavelmente pelo fato da mediação hormonal (início da menstruação) que ocorre nas garotas a partir desta idade.

Espero que tenha esclarecido algumas dúvidas de vocês. Se tiver sugestão de algum tema para a gente tratar aqui no blog, pode entrar em contato através do email conversinhademae@gmail.com.

Beijos

@conversinhadmae

Nenhum comentário:

Postar um comentário