segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Atenção e prevenção para evitar violência sexual


Não me canso de dizer: de todos os crimes, o que me dá mais raiva, asco e (Deus me perdoe) sensação de que não merece perdão é a violência sexual contra crianças. Não há nada que justifique um crime dessa natureza. Vai além da patologia, da perversidade, excede os limites da própria maldade cometer um crime deste que, além de danos físicos, traz consequências psicológicas inimagináveis na vida da vítima.

Semana passada, estive na Delegacia Especial de Atendimento à Criança e ao Adolescente Vítima aqui de Aracaju (SE), conversando com a delegada Lara Schuster – que também é mãe – e, confesso, fiquei estarrecida com relatos de casos que chegaram até lá quase que diariamente. Por mais que todos os dias a gente ouça e veja tanta miséria, é difícil escutar histórias de crianças com três, quatro, cinco anos vítimas de tamanha brutalidade. Os casos de violência sexual já se equiparam às denúncias feitas na delegacia especializada de maus tratos e negligência.

A ingenuidade, falta de malícia, a credibilidade que as crianças têm em seus agressores e muitas vezes o distanciamentoe da família são fatores que fazem dos pequenos alvos fáceis da satisfação da lascívia dos autores desse tipo de crime. Aqui em Aracaju, somente nos oito primeiros meses deste ano, foram instaurados 110 inquéritos policiais na Delegacia de Atendimento à Criança de Aracaju, desses 48 por violência sexual.


Segundo a delegada Lara Schuster, infelizmente, o autor de crime de violência sexual contra criança e adolescente não tem estampado na face nenhum sinal que possa identificá-lo. Normalmente ele é uma pessoa que gosta de estar cercado de crianças e um sujeito acima de qualquer suspeita. E é justamente isso que ele usa para conquistar a confiança dos adultos, para permitir que seus filhos fiquem próximos dele, e das possíveis vítimas, para que possa praticar o crime.

Por isso, é muito importante que todos estejam sempre MUITO ATENTOS, para evitar a aproximação de aproveitadores, que possam fazer mal a seus filhos. Já disse aqui outra vez, que por conta disso às vezes a gente fica meio paranóico, suspeitando de qualquer pessoa que se aproxime dos nossos tesouros. Eu mesmo me sinto assim.

A delegada Lara Schuster disse que como a sexualidade é desenvolvida com o tempo e a criança não tem ainda essa consciência, o agressor se aproveita disso. Ela deu algumas dicas que passo para vocês, a seguir. Afinal de contas, se prevenir nunca é demais, com nossos filhos aí é que não é mesmo, não?

- Instrua as crianças a NUNCA receber presentinhos de estranhos e sempre desconfie de quem os oferece.  “É preciso ensinar os filhos que eles não devem aceitar nada de estranhos, que não conversem pessoas que não conhecem. Aquela história que nossas avós nos diziam antigamente ainda deve ser aplicada hoje”, frisou;

- Os pais devem estar sempre atentos se as crianças e adolescentes têm chegado com presentes;

- Esteja atento a mudanças de comportamento que a criança esteja tendo. Elas podem indicar que está sendo vítima de alguma coisa. Uma criança que dormia bem e não dorme mais, outra que não urinava mais na cama e de repente voltou a fazê-lo, que começa a ter medo de escuro, de pessoas do sexo oposto ou não quer ir para a escola e se recusa a comer podem ser indícios de que está acontecendo algum problema com a criança;

- Dispense tempo para estar com seus filhos, conversar com eles, saber do seu dia a dia e assim saber o que está acontecendo. Procure ser o seu melhor amigo e confidente.

A delegada acrescentou que é muito importante que os casos sejam comunicados à polícia, para que sejam investigados e as vítimas recebam toda assistência necessária – de saúde e psicológica –, para que consigam minimizar os traumas vivenciados.

Então, vamos estar, mais do que nunca, atentos.

Beijos

@conversinhadmae

Fotos: Internet e Maria Odília (del. Lara Schuster)

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