segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Felicidade é pouco


Não poderia começar a semana com uma notícia melhor. Minha filhota Beatriz vai poder participar da formatura no ABC! Ah, parece uma bobagem, mas só nós sabemos como foram os últimos meses na expectativa se ela iria ou não poder passar do infantil para o 1º ano do ensino fundamental. Assim como nós, imagino que milhares de outros pais viveram a mesma apreensão em todo país.

Explico. Minha pequena nasceu no mês de agosto e, de acordo com a resolução nº 6, de 20 de outubro de 2010, expedida pelo Conselho Nacional de Educação, “as crianças para ingressar no ensino fundamental a criança deverá ter idade de seis anos completos até 31 de março do ano que ocorrer a matrícula”, o que não era o caso dela. Ocorre que, mesmo numa turma de crianças alguns meses mais velhas que ela, em nenhum momento ela teve déficit de aprendizagem (muito pelo contrário, sem exagero de mãe) ou queimou etapas da sua infância.

Quando soubemos que a resolução já seria exigida a partir do próximo ano e, portanto, ela não poderia mudar de série, ficamos extremamente tristes. Não porque teríamos que pagar mais um ano de mensalidade escolar. Pensamos primeiramente na frustração e até mesmo danos psicológicos que isso iria gerar nela, além do desinteresse natural por ter que estudar o mesmo conteúdo e a tristeza de ver os coleguinhas mudando de turma e ela tendo que permanecer.

A direção da escola realizou uma reunião com os pais para tratar do assunto e outra com um representante do Conselho Estadual de Educação para esclarecer e informar as medidas que seriam adotadas para minimizar os danos que a aplicação da resolução poderia causar. Uma delas foi de criar uma série intermediária, para os alunos que estavam na mesma situação, para que, com livros e medotologia diferentes, eles pudessem rever o conteúdo.

De certa forma me conformei e tentei passar para ela essa tranquilidade. É, porque ela mesmo estava ansiosa, perguntava o tempo todo se ia e por que não ia poder se formar como os outros coleguinhas. Queria explicações. Confesso que estava me sentindo muito triste em ver que minha filha, mesmo estando tão desenvolvida (ô coisa linda é ver ela escrevendo e lendo, quase fluentemente, quase tudo que lhe chega às mãos), não poderia avançar em seus estudos, pelo menos por enquanto.

Eis que para minha surpresa – e felicidade! – na sexta-feira vi uma notícia que me deu um alento e, claro, fiz questão de imediato passar para coordenação da escola. O Ministério Público estadual aqui de Sergipe, através da Promotoria de Educação, expediu recomendação às escolas e ao Conselho de Educação, para que fosse regularizada a matrícula de alunos na educação infantil. No entanto, observou que muitos pais, por desconhecimento da legislação específica, matricularam os filhos precocemente na educação infantil, causando a possibilidade dessas crianças terem que cursar novamente a última série da pré-escola. O MPE reconheceu que a situação poderia acarretar, além da privação do convívio com os colegas, sérios danos psicológicos aos alunos.

Por conta disso, o Ministério Público recomendou que as escolas só procedam a matrícula de alunos na educação infantil, observando os limites de idade acima discutidos, mas abrindo uma ressalva para os que já se encontram matriculados, em respeito ao direito adquirido dessas crianças, e ao Conselho de Educação que expedisse “resolução sobre o tema em questão, observando a transitoriedade, razoabilidade e proporcionalidade, evitando a violação dos princípios constitucionais, o Estatuto da Criança e do Adolescente, o direito adquirido, bem como possa evitar a submissão de crianças à situações que causem prejuízo psicológico e vexame”.

Era tudo que eu queria ouvir. Ops, ou melhor, quase tudo. A melhor parte veio hoje à tarde, quando a coordenadora me ligou, avisando que tinha acabado de sair de uma reunião no Conselho e que havia ficado decidido que os alunos na situação dela poderiam se formar, sim! E-B-A-!-!-!

A melhor parte da história foi contar a ela a boa notícia. Quando disse a ela que a “tia” tinha me ligado e ela perguntou o que era, indaguei o que ela queria que a tia tivesse dito. E ela de pronto respondeu: “Que eu posso me formar!”. Quando eu confirmei, ela não coube em si. Começou a pular e não parava de ficar repetindo “Eu vou me formar, eu vou me formar”. Vocês não imaginam a felicidade que ela ficou e nós, mais ainda.

Ela começou a me agradecer e eu disse que não era a mim que ela deveria agradecer, mas a Deus que providenciou o melhor, como sempre ele faz. Agora, disse a ela, é continuar estudando e iniciar os preparativos para a formatura. Obrigada, Senhor, pela tua providência! Estamos muito felizes.

Beijos

@conversinhadmae

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