terça-feira, 21 de junho de 2011

Quem brinca com fogo acaba se queimando

Eles podem ser bonitinhos, engraçadinhos, coloridos, virem travestidos de novidades, mas por trás há sempre um grande perigo. Sim, estou falando dos fogos de artifício. Nessa época do ano, eles acabam trazendo mais perigo, por conta dos festejos juninos. Aqui na região Nordeste, onde moro, a tradição junina é muito forte e, por consequência, a da queima de fogos também.

Por mais que se façam campanhas de alertas, todos os anos a situação se repete. Centenas de pessoas, durante as comemorações de Santo Antônio, São João e São Pedro, terminam vítimas de queimaduras por fogos de artifício, muitas delas são crianças. Pessoinhas de quatro, cinco, oito anos que pensavam que estavam apenas brincando com um “foguinho inofensivo”. O que acho um absurdo maior ainda é que na maioria das vezes são os próprios pais ou familiares que compram os fogos com a intenção de fazer a crianças se divertirem. Ah, me desculpe se você pensa diferente, mas não entendo como diversão uma coisa tão perigosa, que pode fazer tanto mal. 
Já cansei de, nessa época do ano, ir para urgência de hospital para fazer matéria e encontrar, em meio aos adultos, crianças que ficaram gravemente feridas por conta de fogos, quando não mutiladas. Aí, gente, não dá mais pra voltar atrás, né? Além do longo e doloroso período de tratamento e recuperação, as queimaduras deixam sequelas para vida toda. Vale lembrar que o próprio Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em seu artigo 81, proíbe a venda de fogos de artifícios a menores de idade.

Aqui em Sergipe, temos uma das melhores Unidades de Tratamento de Queimados (UTQ) do país, no Hospital João Alves Filho, o maior hospital público do Estado. Quando chega esta época do ano, ela já está preparada para atender à demanda que cresce consideravelmente, por conta, principalmente, de queimaduras com fogos de artifícios, alimentos e líquidos quentes. Segundo a direção, com a proximidade dos festejos juninos, há um aumento em torno de 200% dos casos de queimados.

Este ano, a estrutura de atendimento foi ampliada para atender a tantos casos. Além da UTQ e do pronto-socorro, uma ala com oito leitos de retaguarda e uma equipe especializada composta por dois cirurgiões plásticos, enfermeiros e técnicos, foi preparada para atender queimados. Na UTQ, são mais 14 leitos, sendo quatro deles para crianças.

Os casos mais graves de queimaduras que chegam são os que acontecem em fábricas clandestinas de fogos, além das pessoas que se queimam quando vão “brincar”, com bombas, bombinhas, espadas, buscapés, rojões, entre outros tipos. Mas há também muitos casos de queimaduras ocorridas durante a preparação de alimentos típicos desse período, líquidos superaquecidos e substâncias inflamáveis, muitas vezes usadas para acender as fogueiras.

Em caso de queimadura, deve-se evitar colocar qualquer tipo de produto sobre o local. A primeira e fundamental medida é lavar a área com muita água e envolver a região com um pano úmido e encaminhar a vítima imediatamente para o hospital. Nunca coloque na parte queimada produtos como leite, manteiga, óleo de comida, cebola ou clara de ovo, tampouco por pomadas sobre a área queimada, sem orientação médica, pois piorar a lesão.

Não esqueçam: quem brinca com fogo, quase sempre acaba se queimando!

Beijos

@conversinhadmae

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