quinta-feira, 2 de junho de 2011

Publicidade tentadora x discurso dos pais


Quem ainda não viveu essa situação, é bem provável que mais cedo ou mais tarde passe por ela. Você ensina aos seus filhos que eles devem se alimentar bem, tenta aplica isso em casa, na escola os professores reforçam a importância de hábitos alimentares saudáveis para o crescimento e bom desenvolvimento, mas, numa passada pela praça de alimentação do shopping está lá a propaganda daquele delicioso sanduíche, acompanhado por uma suculenta batata frita, um refrigerante bem geladinho que, de quebra, vêm acompanhado por um brinquedinho com personagens daquele desenho animado que estreou recentemente no cinema.

Diga aí, tem como seu discurso competir com a imagem que seu pequeno já tinha visto na TV e agora está ali, bem pertinho dele, no shopping, justo na hora que a fome apertou? Óbvio que não!!! É uma luta muito desigual. A gente tem um trabalho danado em casa de tentar educar as crianças, mostrando que a importância de uma boa alimentação para o desenvolvimento saudável, mas os apelos são muitos e, muitas vezes, confesso, nem nós conseguimos resistir.

O Instituto Datafolha realizou pesquisa, contratada pelo Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana, para saber a opinião de pais e mães de crianças com até 11 anos de idade sobre o impacto da publicidade de cadeias de fast food e alimentos considerados não saudáveis para seus filhos. Para surpresa de todos, 79% disseram que esse tipo de publicidade prejudica os hábitos alimentares dos filhotes.

78% concordam que a publicidade de alimentos não saudáveis leva as crianças a ficarem no pé dos pais insistindo e pedindo os produtos anunciados e 76% acham que os comerciais dificultam os esforços dos pais para educar os filhos a se alimentarem de forma mais saudável. A pesquisa foi realizada em todo o território brasileiro com 596 pessoas.

O Projeto Criança e Consumo defende uma legislação para regular a publicidade voltada para o público infantil. Na opinião da coordenadora do projeto, Isabella Henriques, os dados da pesquisa do Datafolha apontam para a urgência da pauta da regulação de publicidade de alimentos com alto teor de açúcar, gorduras e sódio para o público infantil. Ela disse que a obesidade infantil já é uma realidade no Brasil e é preciso agir rapidamente para frear o aumento dos altos índices do problema entre crianças. “Sabemos que só a regulação da obesidade não será suficiente para isso, mas, sem dúvida, é uma peça fundamental, que ajudará no processo de reeducação alimentar da população de modo geral”, afirmou.

Em alguns países do mundo isso já acontece. O governo dos Estados Unidos, país conhecido pelo alto consumo de alimentos fast food, recentemente lançou uma série de medidas para restringir a publicidade de alimentos não saudáveis direcionada ao público infantil. As normas estabelecidas pelo Federal Trade Commission (FTC) e outros órgãos do governo americano foram taxativos com a indústria alimentícia ao dizerem que ela faça produtos mais saudáveis ou deixe de anunciá-los para crianças.

Também na Europa países na Inglaterra e França possuem regras claras para publicidade de alimentos com alto teor de açúcar, gorduras e sódio. A Inglaterra mesmo proíbe veiculação de comerciais em programas dirigidos para crianças e adolescentes de até 16 anos. Na França são veiculados avisos com mensagens de atitudes saudáveis depois das publicidades desse tipo de alimento. É hora de o Brasil começar a pensar mais seriamente sobre esse assunto. E vocês o que acham do assunto? Deem sua opinião deixando comentários aqui mesmo no post ou através do email conversinhademae@gmail.com.

Beijos

@conversinhadmae

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