domingo, 19 de junho de 2011

De outro país

Essa tirada não foi da Bia, minha filha. Foi enviada por minha amiga e seguidora do blog Sheyla Fonseca. Ela nos conta uma das deduções de seu filho mais velho, o Dimitri. Leiam a seguir.

Dimitri e suas deduções

“Lendo o post tiradas da Bia, lembrei de um episódio recente que aconteceu lá em casa. Meu filho Dimitri, de cinco anos, é um prodígio e precoce em tudo. É tanto que a coordenadora da escolinha comentou comigo que pensa em colocá-lo no segundo semestre no primeiro ano e a tia do Inglês também pensa em avançá-lo uma turma, mas ainda estamos conversando para ver se ele está realmente preparado para isso. 

Sou muito rigorosa na educação dos meus filhos – tenho também Hellena, com três anos. Sempre que eles falam alguma palavrinha errada tento corrigir falando a correta. Faço isso desde que eles começaram a falar as primeiras palavrinhas. Claro que até cinco anos as crianças trocam letras e falam “erradinho”, mas, segundo os fonoaudiólogos, os pais têm papel importante nesse processo. Devemos ficar atentos, pois muitas vezes a criança tem mesmo algum problema que precisa ser avaliado.

Não concordo com pais que acham normal quando o filho fala errado e nunca corrigem por achar bonitinho. Dimitri desde que aprendeu a falar, muito poucas vezes falou errado – até mesmo aqueles erros comuns que toda criança comete, como trocar o “R” pelo “L” ou não falar palavras no plural ou inventar o plural de algumas – e ainda corrige quando alguém fala alguma palavra errada perto dele, seja criança ou até mesmo adulto. 

Ele vive questionando porque as pessoas daqui de Aracaju falam “peithu”, “oithu”, “sabeno”, “andano”, “falano”, não entende e fica dizendo que na escolinha alguns coleguinhas falam assim. Tento explicar que está errado e que os coleguinhas logo aprenderão a falar corretamente. E nisso ele também não perde a oportunidade de corrigir a irmãzinha, que ainda troca algumas letrinhas.

Quando não estão na escola, os dois ficam com minha mãe. Outro dia ele veio me perguntar:

- Mãe, por que vovó fala errado?

Pensei: “Ai meu Deus, como explicar a meu filho de cinco anos que a vó quando criança não teve oportunidade de estudar e por isso não fala corretamente algumas palavras?”.  Então comecei dizendo que vovó não sabia falar direito porque quando era pequena não teve como ir para escolinha. Fui na verdade tentando achar a melhor forma de dizer e antes que eu concluísse ele me saiu com essa: 

- Mãe, não precisa explicar não. Eu já sei porque vovó não sabe falar direito: ela é de outro país. 

- Outro país? Como assim? 

- É, mãe, você não sabe que minha vó é africana, por isso que ela é da cor de café sem leite e fala errado o português.

Nesse momento olhei para William (pai dos meninos) e ficamos pasmos, sem ação e nenhuma palavra veio à minha boca para dar continuidade ao assunto.”

É, às vezes essas coisinhas pequenas nos deixam sem palavras com suas tiradas.
Faça como Sheyla, mande as tiradas dos seus pequenos também para nós: conversinhademae@gmail.com.

Beijos

@conversinhadmae

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