domingo, 12 de junho de 2011

Criança não trabalha, criança dá trabalho!


Em todo mundo hoje se comemora o Dia de Combate ao Trabalho Infantil. Enquanto nossos filhos, sobrinhos, netos e afilhados terão mais um domingo de descanso e diversão, milhares de crianças e adolescentes passarão essa data deixando de fazer o que mais gosta: brincar. Ao invés disso, estarão trabalhando. Algumas em atividades domésticas, na lavoura, guardando ou lavando carros, vendendo nas sinaleiras. Outras, no entanto, estarão em atividades bem mais perigosas e degradantes, como em carvoarias, cerâmicas, pedreiras, salinas, na extração de sisal, de madeira, ou mesmo na fabricação de fogos.

Infelizmente, esta ainda é a realidade de 215 milhões de crianças e adolescentes em todo mundo, conforme mostrou a Organização Mundial do Trabalho (OIT), em relatório divulgado esta semana. Desse total, 115 milhões têm sua mão de obra explorada para atividades perigosas, que são prejudiciais não só à saúde, mas também física e psicológica.


O documento da OIT mostrou que, embora tenha havido uma redução no número total de crianças entre cinco e 17 anos em trabalhos perigosos no período de 2004 e 2008, foi registrado um crescimento de 20% na quantidade de crianças entre 15 e 17 anos nessas atividades, passando de 52 milhões para 62 milhões. Segundo o evantamento, o maior número de crianças em trabalhos perigosos está na Ásia e no Pacífico, onde há 48,1 milhões.

Aqui no Estado de Sergipe, onde eu moro, dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE apontam que apesar de ter havido uma diminuição nos últimos da presença do público infanto-juvenil em atividades laborais, ainda existem cerca de 45 mil crianças e adolescentes trabalhando.

Este ano, o Ministério Público do Trabalho em Sergipe instaurou 45 procedimentos para investigar a exploração da mão de obra infantil na agricultura, indústria cerâmica, beneficiamento da castanha de caju, produção de farinha de mandioca, pedreiras, feiras livres, matadouros, lixões, etc. 189 crianças e adolescentes foram afastados do trabalho infantil durante 108 ações fiscais específicas para o combate ao trabalho infantil da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego, até os primeiros dias de junho. O número de afastamento em pouco mais de cinco meses é quase 200% maior que todos os realizados em 2010 (65).

O trabalho infantil ainda é um problema grave que o Brasil precisa enfrentar. Para isso, é preciso oferecer às famílias, que acabam forçando essas crianças a trabalharem para ajudar no sustento de casa, melhores condições de vida, com oportunidade de renda. E, desta forma, fazer com que crianças e adolescentes se preocupem apenas em estudar – para garantir um futuro melhor para eles e suas famílias – e brincar. Brincar muito.

A música “Criança não trabalha”, de Arnaldo Antunes e Paulo Tatit, imortalizada na voz deste último e Sandra Perez, do Palavra Cantada, acabou se tornando um hino contra o trabalho infantil, ao fazer apologia ao que toda criança deve, realmente, fazer enquanto criança. E o Conversinha de Mãe traz ela pra gente pensar um pouco mais sobre o assunto.


Beijos

@conversinhadmae

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