domingo, 29 de maio de 2011

Só Deus pela saúde de nossos filhos

De que adianta a gente pagar todos os meses, com o maior sacrifício, um plano de saúde para, na hora que mais precisar de atendimento, ver que este é praticamente igual ou pior que o serviço público? Esta hoje é a minha indignação! Todos os meses faço questão de desembolsar quase 10% do meu salário para pagar o plano de saúde da minha filha Beatriz, de quatro anos. Investimento que tem como objetivo garantir a ela, quando mais precisar, um atendimento diferenciado – se comparado com o que é oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), do qual eu sou, por ser cidadã brasileira que pago meus impostos, beneficiária. Mas hoje vi e senti na pele é que as coisas não são bem assim.

Depois de passar uma noite em claro, com minha filha vomitando, com dores abdominais, sem conseguir dormir e rejeitando tudo que lhe dávamos para comer, decidimos levá-la à urgência de um dos hospitais credenciados ao famigerado plano de saúde. Pois bem, ainda ressabiada com a crise vivida no setor de urgência pediátrica aqui em Aracaju (SE), antes de sair resolvi ligar aos hospitais para saber os que realmente tinham pediatras atendendo o volume de pacientes esperando para serem atendidos nele.

Para minha surpresa, no primeiro hospital que consultei, o São Lucas, a resposta era que simplesmente eles estavam sem pediatras hoje. Legal, né! Em pleno domingo, um plantão de urgência pediátrica SEM PEDIATRA e sem previsão de tê-lo. No segundo hospital, o Unimed (o mesmo do plano dela), a informação foi que havia uma pediatra atendendo, mas a funcionária já foi logo avisando que a urgência estava cheia. Tentei então recorrer ao terceiro hospital, o Primavera, na esperança de que tivesse havido sucesso numa nova negociação entre a instituição, médicos e operadora de saúde. Vã esperança: embora houvesse pediatra, eles não estavam atendendo meu plano.

Com minha filha se contorcenco de dor, vomitando, com dor de cabeça e sem querer comer nada não vi outra alternativa senão aventurar atendimento no Hospital Unimed. Do horário da chegada até a hora de fazer a tal ficha que me credenciava a aguardar o momento de ser atendida pela única médica disponível para atender a demanda deste e do outro hospital que estava sem pediatra esperamos, no mínimo, 30 minutos.

Nem mesmo a situação da criança, que a todo instante gemia e se revirava de dor na barriga, fez com que algum funcionário chegasse para perguntar o que ela estava sentido, para que ao menos tentasse saber se a situação dela era grave ou não. Mas esses 30 minutos foram apenas o início de uma espera que (não sabia eu) demoraria longas 8 HORAS até que minha filha fosse atendida, medicada e recebesse alta.

Nunca imaginei que, como usuária de plano de saúde que cumpre a sua parte no contrato de prestação de serviço ao pagar e dia suas mensalidades, eu poderia passar por uma situação dessas. Descaso foi o que eu e outras dezenas de pais sentimos ao ter que esperar, sem sequer uma palavra de explicação de funcionários quanto mais da direção da instituição que contratamos para nos prestar um serviço que esperávamos ser de qualidade.

Para não dizer que ninguém tentou dar uma explicação para a demora no atendimento, isso aconteceu, depois de várias horas, quando alguns pais se exaltaram (e com muita razão) pelo descaso com que viram seus filhos penarem sem ser atendidos, perderam as estribeiras e uma mãe arremessou um pequeno vaso com flores na parede e um pai esmurrou o porta papel toalhas e os funcionários resolveram chamar a Polícia Militar para conter os ânimos. Polícia que, diplomaticamente, tentou contornar toda uma situação criada, no meu entender, pelo próprio plano de saúde, ao credenciar poucas instituições, estas com profissionais em quantidade insuficiente, para atender aos seus milhares de usuários.

Fiquei ainda mais revoltada quando, já desesperada pela demora no atendimento à minha filha, resolvi apelar ao serviço público para levá-la, mas ao ligar para o Hospital Municipal (se é que ele ainda pode ser chamado de hospital) Fernando Franco também fui informada que não havia pediatra. Onde é que vamos parar? Como é que nossos filhos serão atendidos quando estiverem doentes? Será que vai ser preciso o filho de algum figurão importante morrer por falta de atendimento para que alguma providência mais eficaz seja tomada ou esses planos de saúde e hospitais resolvam cumprir a sua parte e prestar um atendimento de qualidade? É lamentável!!!!

Não vou negar que hoje o que me passou pela cabeça na hora que vivenciei toda essa situação foi cancelar o plano de saúde, pois, pra que ele serve se quando preciso, numa situação de urgência, não consigo ser atendida com urgência?

É melhor entregar (cada dia com mais fé) a vida dos nossos filhos nas mãos de Deus e depositar o valor da mensalidade numa poupança e, quando precisar, pagar particular, porque aí, sim, você é atendido rapidinho? Parece que o jeito é descredenciamento já. Se uma campanha desse tipo fosse iniciada e os planos começassem a sentir na conta bancária os efeitos da perda de clientes, talvez eles adotassem uma postura diferente. Porque o que senti hoje foi que pouco eles estão se importando com os clientes.

É apenas parte do desabafo de uma mãe que quer ver sua filha com saúde.

@conversinhadmae

5 comentários:

  1. Oi Edjane!Acompanho o seu Blog faz um tempo, gosto demais!Parabéns!
    Passei por uma situação um pouco parecida com a sua, um pouco pior...Pagava o plano de sáude(cassi, dizem que é um dos melhores) da minha filha(1 ano e 3 meses)com sacrifício, e quando minha filha precisou fazer uma cirurgia com 11 meses o plano falou que não cobria aquele tipo de cirurgia...uma cirurgia de mais ou menos R$18.000 eles me reembolsaram mens de R$2.000. Nem peciso dizer o quando isso foi revoltante e o o quanto me faltou o chão quando recebi essa notícia, pois a operação precisava ser feita exatamente naquele período...Tive que pagar, a minha sorte foi Deus que colocou um médico maravilhoso em minha vida e viu todo o nosso sofrimento e baixou o valor da cirurgia...Depois disso cancelei o plano e estou fazendo como vc falou ai, deposito todo mês a mesma quantidade. Acho que plano de saúde já foi um "luxo", hoje em dia não sei, só sei que vários médicos fazem cara feia pra atender quando sabem que é plano. Acho que não foi só vc que sofreu com esse tipo de situação muitos pais passam por isso todos os dias, e nada muda!

    Beijos!

    Larissa Loiola

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  2. Aff amiga nem fale! Outro dia levamos Maria Alice no hopsital da Unimed - nosso plano é Cassi - e demorou muito para atender. Ela estava "bem"porque nào sentia dor, mas estava quantinha e vomitando. O jeito agora é ligar para uma amiga que é médica e até hoje está dando certo. Coisas mais urgente só nos hospitais mesmo. Mas espero nunca precisar!
    Beijos em Bia.

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  3. Olá

    Sou professora de uma escola estadual e estou aqui lhe convidando para conhecer nosso blog de LIBRAS onde o nosso objetivo é expandir a Língua de Sinais, pois somos escola pólo para atendimento da pessoa com deficiência auditiva.
    Se você tiver um tempinho e interesse pelo assunto, venha nos visitar. O endereço é:

    http://eeblmlibras.blogspot.com/

    Abraços fraternos

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  4. Flavio Vasconcelos30 de maio de 2011 11:07

    Fui tomado por um misto de raiva e aflição enquanto lia o seu triste relato. Dói muito saber que "o nosso bem mais precisoso" está numa situação extremamente vulnerável. Lamentável.

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  5. Nossa Edjane, indignação, descaso e revolta resumem o caso!

    Recorremos aos planos de saúde (que não é barato) na intenção de segurança e quando precisamos, eles não nos servem.

    Hoje, (coincidência ou não) acordei e logo conectei no guia da Unimed. Resolvi fazer um check up na Saúde. Queria marcar ginecologista, endocrinologista, dermatologista e nutricionista.

    Entrei em contato com todos os consultórios médicos que ali constavam, sem olhar quem seria o Drº.

    Acredite se quiser, o único que atendia ainda pelo plano era meu Ginecologista João Déda. O restante, nenhum aceitava mais o plano como primeira consulta! =O Fiquei horrorizada, primeiro pq ainda permanecia ali (guia) o contato dos médicos. Segundo o que fazer quando se precisa e não se tem retorno?

    Faço exatamente das palavras do "maridão" aí em cima, as minhas!

    Bjus

    Marcela Lima

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