terça-feira, 10 de maio de 2011

Cuidado com estranhos


Infelizmente, diariamente a gente tem lido nos jornais, escutado nos noticiários da TVs e das emissoras rádios notícias tristes, envolvendo crianças. Confesso que como jornalista às vezes me deparo com histórias que me deixam de cabelo em pé, principalmente quando envolvem criança. É triste, mas a cada dia têm aumentado os casos de abuso sexual contra crianças e adolescentes. Mas o que é pior é que esse tipo de crime muitas vezes (para não dizer na absoluta maioria dos casos) é cometido por alguém do convívio da criança, alguém em que ela confia e por confiar teme contar o que aconteceu.

Ultimamente tenho pensado muito nisso. Acredito que como toda mãe morro de medo que alguma coisa de ruim aconteça à minha filha, e por isso diariamente peço a Deus (pois só ele mesmo pra nos livrar do mal) para que proteja ela em todos os momentos, principalmente quando eu nem o pai dela estivermos por perto. Meu coração fica apertadinho cada vez que escuto uma dessas notícias.

É triste, porque todas essas notícias terríveis acabam de certa forma fazendo com que a gente desconfie de todo mundo que se aproxima. Confesso que comigo às vezes acontece isso. Se vejo alguma pessoa (principalmente se for homem) começando a brincar muito com ela, já ligo minhas anteninhas, dou um jeito de tirar ela do lugar. Em algumas situações me sinto mal com isso. Penso onde a humanidade vai parar, se a gente não pode mais confiar em ninguém. É realmente lamentável essa situação. Penso assim.

Pensando nisso, resolvi conversar com a psicóloga – e já nossa colaboradora a psicóloga Edel Ferreira – para que ela nos desse algumas orientações sobre como proteger nossas crianças, sem que precisemos passar para elas esse medo, essa insegurança que nós, pais, vivemos nos dias atuais. No mundo de hoje, a insegurança é uma constante. Segundo a psicóloga, independente da realidade socioeconômica, a faixa etária, a constituição familiar, os indivíduos estão cada vez mais vulneráveis aos riscos de uma sociedade adoecida que considera normal a violência física e/ou psíquica.


Mas são as crianças que mais precisam de proteção, uma vez que ainda não tem (pelo menos até os 12 ou 13 anos de idade) plena capacidade de julgamento daquilo que é adequado ou inadequado, do que é real ou fantasia, do que é seguro ou não. “Crianças não têm medo, portanto não se protegem por si mesmas. Crianças acreditam, tomam todos os adultos como seres protetores, modelos a seguir, ícones de autoridade aos quais se deve obediência cega. Mesmo as crianças mais ‘peraltas’, diante de uma voz de comando adulta, acabam cedendo. Quanto mais essa voz é doce, afável, amiga, maior o seu poder persuasivo sobre as crianças”, disse.

E aí é que mora o perigo. Por essa razão, orientou a psicóloga, os pais devem orientar os filhos da melhor forma possível, alertando-os sobre o perigo de seguirem desconhecidos, de receberem presentes e mimos de estranhos. E isso é uma coisa que a gente deve fazer desde que elas são pequenas. Mas não adianta amedrontar com um simples “não”, pois, segundo Edel Ferreira, o não não é suficiente.

“É preciso que os pais ‘convençam’ as crianças de que não devem atender a chamados de pessoas que não conhecem de fato. E isso não pode ser feito à base de ameaças, de terror. As crianças precisam ter confiança nos pais/responsáveis e nada melhor para garantir isso do que o uso de uma linguagem amena, carregada de amor”, disse. Ela disse que basta que os pais demonstrem seu amor e suporte incondicional aos filhos para que eles confiem no que dizem.

De acordo com a psicóloga, crianças pequenas precisam se sentir protegidas em casa para não precisarem buscar essa proteção fora do lar. Ela disse que isso não evita que acreditem nas falas de estranhos, mas garante a escuta aos pais. E os pais devem conversar, dialogar – jamais atemorizar as crianças. Edel acrescentou que detalhes de violência também devem ser evitados, como ameaças do tipo “você vai ficar de castigo se falar com estranhos”.

O segredo é conquistar a confiança da criança, mostrando que, com você, ela estará segura. A melhor forma de garantir que o adulto será ouvido e atendido é usar mensagens simples, diretas, objetivas e afirmativas. “Saia sempre somente com seus pais, pois somos nós que cuidamos de você!”, “Veja como nos divertimos juntos, sua família é a melhor companhia”, “Estamos completos juntos”, são exemplos de frases que podem ser repetidas inúmeras vezes, afirmando a competência que só os pais têm de oferecer segurança aos filhos.

Outra dica dada pela psicóloga é aproveitar os momentos em que elas estão assistindo às notícias veiculadas na mídia para fortalecer o vínculo de confiança com os pais dizendo: “Isso só acontece com as crianças que não ouvem os pais, que desobedecem e aceitam presentinhos e conversas com estranhos. Você, que só sai com seus pais, não corre esse risco!”.

No entanto ela faz uma observação pertinente. “É claro que não podemos concluir que essa atitude afirmativa dos pais seja, por si só, suficiente para evitar situações perigosas para as crianças – especialmente porque, muitas vezes, o perigo está exatamente e infelizmente em alguém conhecido. É preciso que, além do diálogo, os pais também acompanhem seus filhos de perto. Afinal de contas, a responsabilidade de cuidar dos filhos, é deles”, frisou.

E é verdade. Precisamos estar sempre de olhos bem atentos, observando nossos filhos em tudo e todos que se aproximam deles. Estar atentos a sinais que a criança possa dar de que está passando por alguma situação estranha é também de fundamental importância. Queridos, vamos fortalecer o vínculo com nossos filhos, fazer com que eles sintam que somos nós os seus melhores amigos, que é em nós que eles podem confiar. Dessa forma fica muito mais fácil evitar que eles sofram e, por tabela, nós também.

Beijos

@conversinhadmae

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