terça-feira, 31 de maio de 2011

Amigas do peito

Relembrando momentos deliciosos
da amamentação a Beatriz

Quando descobri que estava grávida de Beatriz, não tive dúvidas que queria amamentá-la o quanto fosse possível, assim como queria também ter um parto normal. Posso dizer que tive uma gestação tranquilíssima. Não tive enjoos (nem um vômito – eca! – sequer), apenas sono, trabalhei até a véspera do dia do parto, tive, realmente parto normal (uma maravilha, porque com uma semana parecia que não tinha tido nada) e não tive grandes problemas na adaptação da amamentação, como acontecem com algumas mães que sofrem com seios rachados, o que faz com que esse momento único entre mãe e filho se torne uma tortura.

Graças a Deus tive muuuuito leite para dar à minha pequena bezerrinha. Sim, porque Bia parecia uma bezerrinha mesmo! Mamava que era uma beleza. Mamava tanto que até ficava toda suada. Era tanto leite que quando percebi que o peito estava começando a empedrar não pensei duas vezes e procurei ajuda no Banco de Leite Marly Sarney, referência aqui em Sergipe em banco de leite.

Com toda atenção, as enfermeiras e técnicas explicaram direitinho o que fazer para evitar que o leite empedrasse no seio, causando dores em mim e dificultando a alimentação da minha pequena. Técnicas de massagem, de armazenamento do leite excedente, seja para consumo futuro ou para doação para o banco de leite, e forma correta de amamentação foram algumas coisas que aprendi ali. Muito importante o trabalho realizado pelo banco de leite.

Acho que toda mãe logo depois do parto deveria dar uma passada no banco de leite para tirar suas dúvidas, principalmente se tiver passando por alguma dificuldade na amamentação de seu bebê. Sim, porque às vezes acontece algum probleminha e as mães, principalmente as de primeira viagem, podem acabar desistindo de alimentar seu filho com leite materno.

Nem precisa dizer a importância da amamentação para o desenvolvimento dos bebês, né? São tantos os benefícios que não consigo imaginar como uma mãe deixa de vivenciar um momento tão importante como este com seu filho. Graças a Deus, encontrei uma pediatra para Bia que não se cansa de bater nessa tecla da importância de amamentar os bebês. Dra. Magali Dias é uma entusiasta desse tema. Não perde um congresso, um encontro, uma campanha que trate sobre a amamentação. E estimula mesmo as mamães a isso.

Mesmo quando voltei a trabalhar, depois da licença maternidade, deixava os potinhos de leite congelado para que minha mãe fosse dando a ela, até que retornasse (com os seios já repletos de leite novamente) para amamentá-la. Amamentei Beatriz exclusivamente com o leite materno até os seis meses de vida. Nem água dava, pois o leite é um alimento completo. Depois comecei a ir oferecendo outros alimentos.

Aos dez meses tive que parar de amamentá-la, porque precisei voltar a tomar meus remédios para o lúpus e não podia continuar dando mama. Foi uma luta fazê-la se desprender do seu peitinho. Alex, meu marido, bem sabe como foram aqueles dias em que ele tinha que colocá-la para dormir, “enganando-a”, para que não sentisse falta do peito. Mas conseguimos, graças a Deus! Ela nunca tomou mamadeira e partiu do desmame para as papinhas de frutas, legumes e alimentação normal. Não me arrependo nem um pouco de ter feito essa opção.

Algumas mães, infelizmente, têm algum problema e não conseguem amamentar seus filhos. Essas mães dependem da solidariedade de outras, que possuem leite em abundância e têm a possibilidade de doar o excedente ao banco de leite. Se você é uma dessas ou conhece alguma mãe que pode se tornar doadora, dê a dica para que ela possa ajudar outros bebês. Em Sergipe, o Banco de Leite Marly Sarney possui apenas 15 doadoras fixas cadastradas, número que não consegue atender à demanda.

Isso porque o leite coletado no Banco de Leite, além da Maternidade Nossa Senhora de Lourdes, abastece também as maternidades privadas sempre que seu estoque permite. O que nem sempre acontece. Só na Maternidade Nossa Senhora de Lourdes, que atende a gestantes de alto risco, quando quase sempre os bebês nascem prematuros, a necessidade diária é de, pelo menos, 12 litros. Mas agora no mês de maio foram coletados pouco menos de 35 litros. Situação preocupante, que se agrava com a chegada do mês de junho, quando o período chuvoso e os festejos juninos afastam as doadoras.

O Banco de Leite oferece o serviço de captação na residência da própria doadora, mediante agendamento. Após avaliação e cadastro da doadora, a equipe do Banco vai até a casa da voluntária para buscar o leite coletado e ainda fornecer os vidros esterilizados. O leite coletado passa por uma seleção rigorosa e fica em condições corretas de higienização e acondicionamento, assegurando assim a qualidade do produto e evitando a transmissão de doenças, conforme determina a Rede Brasileira de Banco de Leite Humano (REDEBLH). Em Sergipe as doações podem ser agendadas através do disque-amamentação: (79) 3226-6335. Em seu Estado, procure saber como funciona o banco de leite e estimule quem pode a doar. Isso, sim, é ser amiga do peito.

Beijos

@conversinhadmae

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