quarta-feira, 16 de março de 2011

Abuso: violência silenciosa


Como repórter, diariamente me deparo com notícias das mais variadas. Mas se tem uma coisa que me deixa transtornada é notícia sobre abuso e exploração sexual de crianças. Eu me pergunto: “Meu Deus, como é que podem existir pessoas que têm a capacidade de cometer um crime, uma barbárie dessa?”. Confesso que não encontro respostas. É um absurdo imaginar e impossível entender uma coisa dessa natureza.

Há cerca de duas semanas, ao chegar à Delegacia de Atendimento à Criança e ao Adolescente Vítima, justamente para fazer uma matéria sobre esse tema, me deparei com uma mãe que tinha recentemente descoberto que sua filha de oito anos era abusada pelo próprio pai (do qual ela estava separada), durante as visitas que ela fazia a ele. A mulher, da minha idade, tinha, literalmente, entrado em parafuso com a notícia. Ficou internada na urgência psiquiátrica de um hospital e visivelmente ainda apresentava problemas psicológicos.

Imagine, então, o dano psicológic causado àquela criança, tão nova, que além da violência sexual ainda era violentada psicologicamente, pois o pai (se é que se pode chamar um ser desse de pai) a ameaçava, dizendo que se contasse a alguém mandava matar a mãe e a avó dela. Só que inocentemente a criança deu indícios do que estava acontecendo a uma tia, que revelou à mãe, que denunciou.

Ontem, também no trabalho, entrevistei a delegada Mariana Diniz, responsável por esses casos aqui em Aracaju (SE). Desta vez, sobre a prisão de outro pedófilo, um homem, já condenado em São Paulo por abuso sexual, que veio foragido a Sergipe e descobriu-se que ele vinha explorando sexualmente duas meninas, de nove anos. Aproveitando-se da condição econômica desfavorável delas, chamou uma das meninas para ajudá-lo lavando louças na sua casa, em troca de R$ 10 por semana. Só que, na verdade, o que queria em troca desse dinheiro era favores sexuais.

Infelizmente, casos de abuso e exploração sexual são mais comuns do que a gente imagina. E, o pior, na maioria as vezes cometido por pessoas que estão mais próximo das vítimas. Isso é o que mais revolta. Depois que a gente se torna mãe, a preocupação com relação a isso se multiplica. Esses são crimes que acontecem no silêncio. A vítima teme denunciar porque se sente ameçada pelo agressor. Por isso, gente, é tao importante estar de olhos atentos. A TUDO!!!!!

E, se identificar algum caso, DENUNCIE MESMO!!!!!!! Ferramentas, graças a Deus, existem muitas hoje. Aqui em Sergipe tem o Disque Denúncia da Polícia Civil, através do telefone 181. Em todo país, as denúncias podem ser feitas através do Disque 100 – Disque Denúncia Nacional de Abuso e Exploração Sexual Contra Crianças e Adolescentes, que funciona das 8h às 22h, inclusive nos finais de semana e feriados. Qualquer pessoa pode utilizar o serviço – adultos, crianças e adolescentes – e é garantido o anonimato. As denúncias podem ser feitas também aos Conselhos Tutelares e Conselho Municipal de Defesa de Direitos da Criança e do Adolescente em sua cidade.

Beijos

@conversinhadmae

Nenhum comentário:

Postar um comentário