domingo, 2 de janeiro de 2011

Tratamento especial, para quem também é

Tenho quase certeza que 10 entre 10 mães (além de pais, avós, tios e pessoas comuns) que ouviram o discurso de posse do governador Marcelo Déda se emocionaram quando ele se referiu ao seu filho mais novo, o Matheus, portador de Síndrome de Down. O garoto, hoje com pouco mais de um ano de idade, foi citado pelo chefe do executivo estadual de Sergipe como seu exemplo de superação e inspiração, pois, depois de nascer prematuro, de sete meses, passou 20 dias internado na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) e hoje vem se desenvolvendo bem.

Em meio à emoção que cercou o momento, marcado pelo fato de o governador ter aberto o coração ao falar sobre isso, Déda deu uma notícia que, com certeza, trouxe alento a centenas de pais que possuem filhos com Síndrome de Down ou outras necessidades especiais, que é a criação de um Centro de Referência, para atendê-los, de forma gratuita, beneficiando famílias que não possuem recursos financeiros necessários para arcar com o tratamento especializado, para que se desenvolvam como qualquer outra criança. Agora é torcer para que isso aconteça o mais breve possível.

É certo: ter um filho com alguma necessidade especial requer uma abnegação acima do normal para os pais. Um amor e dedicação que, certamente, só sabe como dispensar quem vive essa situação. Mas também deve ser uma recomensa diária, a cada evolução, a cada vitória conquistada em pequenos gestos. Sempre me perguntei por que as crianças com Síndrome de Down, mesmo com todas as dificuldades, sempre parecem mais felizes que as demais.

Você também já observou que elas sempre têm um sorriso no rosto, sempre abertas a fazer novos amigos, carinhosas como só elas são? Pelo menos são assim todas as que já conheci até hoje. O caso mais recente é o de um garotinho que estuda na escola que Bia estudava. Esse menino, com seus cinco, seis anos, sempre que nós – eu e Alex – o víamos nos recebia com tanto carinho, como se conhecéssemos ele desde que nasceu. Conversava e queria ficar direto no colo de Alex. É, deve ser por isso que essas crianças são conhecidas como especiais, porque, realmente, elas são.

O que é
A Síndrome de Down é um acidente genético, que ocorre ao acaso durante a divisão celular do embrião. Na célula normal da espécie humana existem 46 cromossomos divididos em 23 pares. O indivíduo com Síndrome de Down possui 47 cromossomos, sendo o cromossomo extra ligado ao par 21.
Estima-se que a cada 700 bebês que nascem, um tem a síndrome. Acredita-se que existam atualmente no Brasil mais de 100 mil pessoas, entre adultos e crianças, com Síndrome de Down. Qualquer casal pode ter filho com SD, entretanto, a chance de nascer um bebê com ela é maior quando a mãe tem mais de 40 anos. Até o momento, não existe cura para a síndrome, embora no mundo inteiro se façam pesquisas nesse sentido.


Entretanto, atualmente são realizados programas de estimulação precoce que visam favorecer o desenvolvimento motor e intelectual das crianças com Síndrome de Down. Estes programas indicam melhoras no desempenho da criança durante os primeiros anos de vida. A estimulação precoce não é a cura da SD, mas fornece as oportunidades para o desenvolvimento dos potenciais da criança. Mais informações, no site da Fundação Síndrome de Down (www.fsdown.org.br).

O importante é que estejamos preparados e preparando nossos filhos a conviver com as diferenças e valorizá-las. Pois, afinal de contas, são todos crianças.

Beijos

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