quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Opção por filho único



Sou uma das milhares de brasileiras que esperaram ficar um pouco mais velhas para decidirem ter o primeiro filho. Mesmo depois de casada, esperei alguns anos para tomar essa decisão. Eu e meu marido preferimos aguardar, dar um tempo para eu me estabilizar profissionalmente para, então, pensar em aumentar a família. Foram quatro anos do que chamamos de casamento-namoro: só nós dois.

Hoje, quatro anos depois que Beatriz nasceu, não nos arrependemos de ter dado esse tempo. Mesmo assim, nesse corre-corre diário que a gente tem, mais acentuado depois que ela começou a estudar, ainda tenho a culpa de não dispor do tempo necessário para ficar com ela. Trabalhar os dois expedientes (ou quase três como fazia até pouco tempo) é um desafio para qualquer mãe. E aí não tem com fugir do sentimento de culpa.

E quer ver coisa é a cobrança que existe sobre quem tem um filho só. É incrível como parece que as pessoas não aceitam a opção de quem quer ter apenas um filho. Gente, quem pensa assim é porque sabe de suas condições, como é o meu caso. Criar filho é tão complexo, é uma responsabilidade muito grande. Por mais que pareça clichê: filho é pra toda vida. Nessas condições essenciais está incluído tudo, não só a parte financeira, mas, também – e, pra mim, principalmente –, tempo.

Entre os argumentos dos que tentam nos convencer a aumentar a prole, o fato da solidão vivida pelos filhos únicos, a questão de ele crescer achando que pode tudo, que é o “reizinho” da casa, que viverão superprotegidos, etc. Não entendo dessa forma. Acho que se as coisas forem feitas com prudência e limite o filho único não será sinônimo de tirania. É o que tento mostrar para minha filha.

Uma pesquisa realizada recentemente na Grã Bretanha, com mais de 100 mil pessoas em 40 mil famílias, ao contrário do que se costuma imaginar, mostrou que os filhos únicos são mais felizes do que os que têm irmãos. Um dos motivos apontados pelos pesquisadores é que o filho único não precisa lutar pela atenção dos pais, além de não sofrer bullying dos irmãos mais velhos, nem recebe apelidos maldosos. Fora isso, ele irá dispor de todo investimento dos pais, que com apenas um filho terão condições de investir mais pesado na educação da criança.

O resultado da pesquisa foi publicado em uma reportagem da revista Crescer (http://migre.me/2rOzx). Vale a pena dar uma conferida. Por enquanto, mesmo diante das cobranças (graças a Deus que não de meu marido e minha filha), continuo com o pensamento de a família permanecer no mesmo tamanho.

E você, o que acha disso. Comente aqui no Conversinha de Mãe.

Beijos

2 comentários:

  1. concordo plenamente com vc. sou também mãe de filho único. antes de engravidar eu queria ter 3 filhos por que sou de uma família numerosa em filhos, não condenava quem optava por ter um só porém eu não tinha a ideia de ter filho único pensando justamente na solidão dele. eu sempre fui bem realista com relação as minha condições e a partir do nascimento dele, eu fui tomando esta ideia de ter um só. não me arrependo por que posso dar toda atenção a ele, focar melhor na sua educação. meu marido é filho unico e também desde o inicio ele sempre quis ter um só.
    beijos.
    vanessa

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  2. Olá Edjane,
    Achei seu blog através de pesquisa de imagem para um post meu e vi essa imagem do seu blog . Adorei este seu post. Posso dar pitaco? Nossa, já tem 1 ano esse post, rs.
    Bem, eu sou filha única e nem por isso minha vida foi de princesinha da casa. Fui criada com muito amor, carinho, atenção e cobranças. Tudo normal, rs. Hoje, tenho 34 anos e sou mãe de uma moça de 13 anos, filha única. Por eu saber que filhos únicos são felizes, não são solitários, egoístas, ou outra bobagem qualquer que dizem por ai. E sim, graças a eu ter sido filha única, meus pais puderam me dar certas coisas que eu não teria tido tendo irmãos. E sim, é pensando nisto que minha filha é única. Assim eu posso dar uma boa escola, curso de inglês, aula de guitarra, aula de jazz, viagens, plano de saúde. Se eu tivesse dois filhos, por exemplo, ambos teriam plano de saúde, e escola boa. Só. Não daria para dar o inglês, o jazz, a guitarra, o computador, as viagens para os dois.
    Beijos

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