terça-feira, 30 de novembro de 2010

Crianças na mira do con$umi$mo



Definitivamente, foi-se o tempo em que eu tinha tempo (desculpem a redundância) de assistir televisão. Hoje, isso é a coisa mais rara em minha vida. Quando acontece, é à noite, já na hora de ir dormir, mesmo assim muito rapidamente. Nem sempre no almoço consigo dar uma paradinha para ver o telejornal. Mas no sábado passado fui acordada por minha filha Beatriz, isso já perto das 8 horas (graças a Deus essa semana não foi às 5h30, como na passada), pedindo para que eu ligasse a TV – lá em casa o único aparelho fica no quarto do casal.


Depois de algumas negativas, ela me venceu pelo cansaço (ou melhor, pelo sono) e eu decidi ligar para que ela assistisse o seu desenho e eu pudesse continuar, por mais alguns minutos, o meu gostoso soninho. Algum tempo depois comecei, aos poucos, a despertar e, mesmo ainda sonolenta, com os olhos fechados, uma coisa me chamou a atenção: é impressionante a quantidade de comerciais voltados para a criançada no intervalo da programação infantil.


Gente, é propaganda de carrinho, de boneca, de roupa, calçado, biscoito, iogurte e mais um catatau de coisas. Não seria exagero dizer que é um bombardeio de apelos comerciais. Agora entendo em parte por que as crianças fazem tanto escândalo nas lojas e ficam desesperadas em frente a uma loja de brinquedos ou na seção de produtos infantis no supermercado.


Dias atrás descobri pelo Twitter (sim, sou viciada no microblog e o acho uma fonte de informações. Podem me seguir: @edjaneoli) o Projeto Criança e Consumo (www.alana.org.br/CriancaConsumo), desenvolvido pelo Instituto Alana, e achei muito interessante. Nele encontrei a pesquisa “Consumismo na Infância”, feita em parceria como o Instituto Datafolha, no início deste ano. Dei uma olhada rápida e fiquei de me debruçar mais atentamente sobre os resultados apontados por ela.


Incomodada pelo que percebi no sábado, resolvi analisar atentamente ela e compartilhar um pouco com vocês. Para a pesquisa, foram entrevistados 411 pais de crianças com idade entre três e 11 anos, de todas as classes econômicas, da cidade de São Paulo. Assistir TV foi a principal atividade de lazer dos filhos nessa faixa etária citada pelos próprios pais entre 14 itens estimulado no questionário de entrevista, como brincar como outras crianças, andar de bicicleta ou jogar videogame.


Os pesquisadores observaram que entre as preocupações estimuladas os pais dão maior atenção ao controle da programação de TV para seus filhos (58%), do que ao conteúdo das propagandas que passam nos intervalos comerciais (42%). É interessante observar que sete entre cada dez pais entrevistados confessaram que são influenciados pelos filhos na hora da compra, com maior incidência entre os homens (por incrível que pareça que nós mulheres somos mais influenciáveis).


Segundo a pesquisa, para os pais, os maiores influenciadores dos pedidos dos filhos, entre sete itens estimulados, são as propagandas (38%), vindo em seguida os personagens de TV ou filmes (18%) e os programas de TV (16%). 85% dos entrevistados concordaram totalmente ou em parte que as propagandas que aparecem na TV influenciam os filhos na escolha dos presentes que eles pedem, mesmo percentual dos que disseram que as propagandas levam as crianças a serem consumistas. Já 83% disseram que se preocupam com as propagandas voltadas aos seus filhos, pois eles podem querer comprar. A restrição ao marketing e propaganda voltada ao público infantil é apoiada por 73% dos pais entrevistados. O conteúdo completo da pesquisa pode ser conferido no site do Instituto.


Por coincidência, no sábado, dia 27, foi o Dia sem Compras – por um consumo mais consciente. Não vou dizer que aderi à data (pelo contrário, fui ao shopping e acabei comprando uns óculos para mim), mas achei interessante ter calhado essa percepção minha com o dia, que eu nem sabia que existia e fiquei sabendo apenas porque minha amiga Marivone Vieira – jornalista e acadêmica de Direito – colocou no seu microblog (@MarivoneVieira).


E você, o que acha das propagandas voltadas ao público infantil? Compartilhe com o Conversinha de Mãe a sua opinião.


Beijos

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